Rússia recusa fazer previsões sobre negociações de paz

O porta-voz do Kremlin explica que o trabalho entre as duas delegações "é complexo", sendo preferível "esperar por resultados tangíveis" antes de se informar a população.

A Presidência russa recusou esta terça-feira fazer qualquer previsão sobre as negociações com a Ucrânia, depois de um conselheiro do Presidente ucraniano ter admitido a possibilidade de um acordo de paz até maio.

"O trabalho entre as duas delegações continua por videoconferência, é um trabalho complexo, e o facto de continuar já é positivo", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela agência francesa AFP.

"Não queremos fazer quaisquer previsões de momento", disse Peskov, na sua conferência de imprensa diária.

O porta-voz do Kremlin considerou ser preferível "esperar por resultados tangíveis" antes de se "informar a população de ambos os países".

Peskov comentava declarações do conselheiro presidencial ucraniano Oleksiy Arestovich sobre a possibilidade de a guerra na Ucrânia terminar em maio ou até antes.

"Um acordo de paz poderá ser alcançado no início de maio. Talvez muito mais cedo, veremos", disse Arestovich num vídeo divulgado por vários 'media' ucranianos, citado pela agência espanhola EFE.

Arestovich disse que se está perante uma encruzilhada na guerra, que entrou hoje no 20.º dia, e que tudo dependerá dos recursos que a Rússia pretende usar.

Uma das possibilidades, admitiu, é um acordo de paz "dentro de uma ou duas semanas" e a retirada das tropas russas.

Outra possibilidade é uma "segunda ronda" da ofensiva russa na Ucrânia, para a qual a Rússia estará a tentar recrutar mercenários na Síria, acrescentou Arestovich, que não integra a delegação de negociadores ucranianos.

Na sexta-feira, o Presidente russo, Vladimir Putin, manifestou o seu apoio ao recrutamento de voluntários para lutar na Ucrânia, ao que o seu ministro da Defesa, Serguei Shoigu, respondeu que 16.000 combatentes de países do Médio Oriente, principalmente da Síria, mostraram vontade de se juntarem às forças russas.

A quarta ronda de contactos entre a Ucrânia e a Rússia, que começou na segunda-feira, por videoconferência, deverá ser retomada hoje.

O chefe da delegação ucraniana, o também conselheiro presidencial Mikhail Podoliak, descreveu a suspensão dos trabalhos como "uma pausa técnica" para facilitar o "trabalho adicional" dos subgrupos e a especificação de certas definições.

A primeira ronda de negociações realizou-se na região bielorrussa de Gomel, perto da fronteira ucraniana, em 28 de fevereiro, quatro dias após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia.

As rondas seguintes decorreram também na Bielorrússia, mas perto da fronteira polaca, em 03 e em 07 de março.

Três dias depois, a Turquia acolheu a primeira reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e da Rússia, Serguei Lavrov.

As negociações produziram poucos resultados, pelo que foi anunciado pelas duas partes, embora tivessem permitido a abertura de corredores humanitários para socorrer civis em algumas cidades ucranianas cercadas pelas forças russas.

A guerra na Ucrânia provocou milhares de mortos e feridos, mas o número preciso está ainda por determinar.

As informações sobre baixas militares e civis indicadas por cada uma das partes carecem de verificação independente.

A ONU contabilizou 636 civis mortos e 1.125 feridos até domingo, mas tem alertado insistentemente que o número deverá ser substancialmente superior.

Mais de três milhões de pessoas fugiram da Ucrânia para países vizinhos desde o início da guerra, naquela que já é considerada a prior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

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