Sánchez e Torra dão início à mesa de diálogo mas mantêm o braço de ferro sobre a Catalunha

O Governo catalão quer abordar a autodeterminação da Catalunha e o governo espanhol mantém as suas linhas vermelhas.

O Governo de Espanha e o Governo da Catalunha sentam-se esta quarta-feira à mesma mesa para dar inicio ao diálogo que visa resolver a questão catalã. Antes mesmo de começar já houve a primeira polémica. Do lado do Governo espanhol, os membros da mesa são exclusivamente ministros, mas do lado catalão, os escolhidos não fazem todos parte do governo autonómico e dois deles têm ligações estreitas com Puigdemont.

O ex-presidente da Catalunha Tem reivindicado, nas últimas semanas, um lugar na mesa de diálogo, dizendo que é um interlocutor válido e que não deveria ser ignorado no processo de negociação sobre o conflito da Catalunha. Uma posição apoiada pelo atual presidente da Generalitat, Quim Torra, que tem defendido várias vezes que os verdadeiros interlocutores deveriam ser Carles Puigdemont, Oriol Junqueras e Jordi Sànchez, o primeiro foragido da justiça em Waterloo e os dois últimos a cumprir pena de prisão por sedição.

Não podendo sentar-se à mesma mesa, Puigdemont certificou-se de que dois dos seus mais estreitos colaboradores têm assento. A decisão caiu mal dentro do governo espanhol. A ministra da Economia, Nadia Calviño, foi a primeira a reagir: "A lógica é que numa mesa de negociação entre governos estejam pessoas que formam parte desses governos", disse.

Ainda assim, a vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, não quis dar ênfase ao assunto e centrou a o discurso na importância de iniciar um processo de diálogo. "Este governo progressista está na antítese das posições independentistas mas também é verdade que só se pode avançar começando. Para nós a melhor agenda do dia é sentar-nos, escutar-nos, saber as posições que não nos unem e procurar as que podem unir-nos", disse.

"É verdade que do lado independentista houve violações graves da nossa ordem constitucional mas também é verdade que recebemos a herança do PP em forma de desleixo, falta de diálogo e no facto de levar aos tribunais coisas que só se podem resolver com a política", concluiu a vice-presidente.

A primeira reunião promete ser tensa e a Generalitat vai pôr em cima da mesa temas como o direito à autodeterminação e a amnistia dos dirigentes catalães presos. "A proposta da parte catalã passa pelo direito a exercer a autodeterminação, pelo fim da repressão através de uma lei de amnistia e também vamos pôr em cima da mesa a necessidade de um mediador como garantia de tudo o que se for chegando a acordo nesta mesa", explicou a porta-voz do governo catalão Meritxell Budó.

As possibilidades de acordo nesta primeira reunião são praticamente nulas e é de esperar que as negociações se prolonguem durante vários meses e dentro de um ambiente de impasse. A proximidade das eleições catalãs, ainda sem data definida, mas que terão lugar nos próximos meses, fazem desta mesa de diálogo um dos primeiros atos de campanha e ninguém se quer arriscar perder terreno.

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