Sánchez e Torra reúnem-se com vontade de abrir diálogo mas poucas perspetivas de acordo

Apesar de saber a posição do Governo, Quim Torra deverá pôr em cima da mesa a autodeterminação da Catalunha e a realização de um possível referendo. O Governo já disse que não há assuntos proibidos, mas avisou também que os limites são a Constituição espanhola.

É o primeiro passo no cumprimento do acordo de Governo entre PSOE e Esquerda Republicana.

Pedro Sánchez e Quim Torra reúnem-se esta quinta-feira para dar o pontapé de saída à mesa de diálogo que ficou estipulada no acordo de Governo entre o PSOE e o Esquerda republicana. A reunião tem como objetivo estabelecer uma via de diálogo para o conflito catalão e criar as bases da futura mesa de negociação cuja data de início deve ser anunciada pouco depois deste primeiro encontro.

A reunião terá lugar ao meio dia (hora espanhola), no Palau da Generalitat em Barcelona, e o Governo mantém as expectativas baixas no que toca aos resultados desta reunião. "Sabemos que as posições do Governo e da Generalitat no que diz respeito à conceção territorial de Espanha são diametralmente opostas", disse a porta-voz do Governo, Maria Jesús Montero.

"A solução do conflito catalão é complexa. Vai requerer tempo, inteligência, empatia. Não esperamos resultados a curto prazo, o que queremos é estabelecer um ambiente de diálogo que nos permita avançar em termos democráticos e que nos permita ser capazes de dar uma resposta global à situação da Catalunha", analisou.

Apesar de saber a posição do Estado, Quim Torra deverá pôr em cima da mesa a autodeterminação da Catalunha e a realização de um possível referendo. O Governo já disse que não haveria linhas vermelhas, assuntos que não pudessem ser abordados, mas avisou também que os limites seriam sempre a Constituição espanhola que, atualmente, não permite a realização deste tipo de referendo.

Quem também já se pronunciou foi Charles Puigdemont, que tem perspetivas bem mais ambiciosas. "Que Pedro Sánchez esteja de acordo em celebrar um referendo de autodeterminação. Acho que essa seria uma boa mensagem. Acho que todos estaríamos muito satisfeitos se a reunião conseguisse esse compromisso", disse, a partir da sua residência em Waterloo.

A reunião surge num momento de especial turbulência na Catalunha. Quim Torra anunciou já a convocatória de eleições antecipadas mas não adiantou uma data definitiva, dizendo que primeiro tem de ser aprovado o orçamento da comunidade numa tentativa de ganhar tempo. Esta reunião e as exigências que Torra fizer ao Governo serão uma espécie de primeiro ato eleitoral do presidente da Generalitat.

Os planos de Torra estão condicionados também pela decisão do Supremo Tribunal.

O presidente da Generalitat recorreu a decisão do tribunal superior de justiça da Catalunha de o condenar a um ano de inabilitação por desobediência, depois de se ter negado a retirar os laços amarelos dos edifícios públicos durante a campanha eleitoral. Se o Supremo ratificar a decisão, Torra terá de abandonar o cargo imediatamente.

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