Sanções à Rússia resolvidas "num par de semanas". Europa procura soluções para dependência energética

O chefe da diplomacia portuguesa declarou também que Portugal quer ser dos países "mais rápidos" a ratificar a entrada da Suécia e da Finlândia na NATO.

João Gomes Cravinho espera que "dentro de um par de semanas" haja um acordo sobre o sexto pacote de sanções à Rússia, apresentado pela Comissão Europeia no início de maio, existindo respostas para as dificuldades sentidas pelos países europeus que dependem largamente da Rússia em termos energéticos.

Em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, onde se encontra para uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, o governante português afirmou que o corte das importações de energia à Rússia não esteve em cima da mesa nas conversações desta segunda-feira, uma vez que essa questão já não tem impedimentos do domínio "político", apenas do domínio "técnico".

De acordo com João Gomes Cravinho, tanto a Hungria, como a Eslováquia, a República Checa e a Bulgária têm dificuldades em aplicar de imediato as sanções que implicam o corte das importações à Rússia, por terem um grau de dependência de Moscovo elevado e terem de "encontrar alternativas para se abastecerem de petróleo e gás".

Segundo o governante, a Comissão Europeia está a procurar mecanismos que ajudem estes países europeus a encontrar soluções. Gomes Cravinho acredita que "dentro de um par de semanas", haverá respostas.

"Estamos a aplicar os mecanismos apropriados para que o impacto assimétrico das sanções não seja um obstáculo", garantiu o ministro.

João Gomes Cravinho declarou também que conversou recentemente com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e que este está ciente da solidariedade portuguesa.

O ministro falou ainda sobre o reforço de 500 milhões do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz e referiu que a proposta "ainda não foi aprovada, mas tem consenso significativo". O que está previsto, explicou Gomes Cravinho, é "para cada 500 milhões, 18 milhões são pagos por Portugal", que deverá depois receber uma compensação pelo equipamento militar enviado para a Ucrânia.

Portugal quer ser dos "mais rápidos" a ratificar entrada da Suécia e Finlândia na NATO

O ministro português dos Negócios Estrangeiros garante que Portugal estará entre os membros "mais rápidos" da NATO a ratificar a adesão da Suécia e da Finlândia à Aliança. Gomes Cravinho declarou que a posição do governo português é de um "acolhimento muito positivo" das decisões de adesão da Suécia e da Finlândia à NATO.

Sublinhando a necessidade de haver um "processo de adesão acelerado", o ministro considerou que a aprovação política da entrada dos dois países nórdicos deverá acontecer ainda "antes da cimeira da NATO" marcada para junho.

"A rapidez da adesão vai depender da ratificação dos 30 países atuais da NATO. Portugal não será o mais lento, seguramente. Esperamos que esteja entre os mais rápidos", declarou Gomes Cravinho.

Questionado sobre se Portugal estaria disponível para mediar as conversas entre os potenciais novos membros e a Turquia, que inicialmente se mostrou contra a adesão da Suécia e da Finlândia à Aliança, o chefe da diplomacia portuguesa declarou que "uma boa base de diálogo já está em curso" entre os três países, pelo que não crê que seja necessária a intervenção de Portugal, apesar de o país ser amigo das três nações.

Em relação às palavras de Moscovo, que declarou que não será positiva para o Ocidente a adesão da Suécia e da Finlândia à Aliança, Gomes Cravinho responde que a decisão sobre a entrada de novos países na NATO só compete a esses mesmos países e à própria NATO. "Não compete a nenhum país terceiro", atirou.

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