Sassoli: "rapto de Estado" é um "caso inédito e gravíssimo"

O presidente do conselho europeu juntou esta terça-feira a voz ao coro de condenações à atuação do regime bielorrusso, classificando o "sequestro" do voo da Ryanair, como "inédito e gravíssimo".

David Sassoli saúda "resposta empenhada" dos 27 perante o "caso gravíssimo" do "rapto de estado" praticado pela Bielorrússia.

O presidente do conselho europeu juntou hoje a voz ao coro de condenações à atuação do regime bielorrusso, classificando o "sequestro" do voo da Ryanair, como "inédito e gravíssimo".

"Vimos o Conselho Europeu particularmente empenhado em responder e apelámos a uma resposta imediata, eficaz e forte ao que é um rapto de Estado, porque um avião europeu aterrou para prender um dissidente", afirmou Sassoli, congratulando-se por "algumas iniciativas irem naquela direção a partir deste caso inédito e gravíssimo que precisava de respostas imediatas".

O presidente do parlamento Europeu, espera por consequências das medidas e de uma reação adequada de Minsk. "Pedimos às autoridades da Bielorrússia a libertação imediata de Roman e Sofia e, sobretudo, a possibilidade de serem acompanhados até à fronteira e enviados ao local onde pretendiam chegar", apelou.

No final do primeiro dia de cimeira, a presidente da Comissão Europeia lamentou o "ataque à democracia, à liberdade de expressão e à soberania europeia", levando a cabo pela Bielorrússia, dando conta de que "haverá sanções adicionais para todos os indivíduos envolvidos no sequestro, mas desta vez também sobre os negócios e entidades económicas que estão a financiar este regime".

Ursula von der Leyen disse que os 27 condenaram o método e a atuação das autoridades da Bielorrússia, classificando "o sequestro do avião como uma deliberada e desnecessária tomada de medidas de emergência, que se concretizou numa intervenção injustificada com aeronaves militares".

"O serviço de navegação aérea foi mal utilizado par ajudar o Estado controlar um avião europeu. E, a Bielorrússia usou o controlo do espaço aéreo para levar acabo um sequestro de estado", criticou Von der Leyen.

"A segurança dos voos sobre o espaço aéreo da Bielorrússia não é mais confiável e, o conselho vai adotar medidas para banir os voos da companhias aéreas bielorrussas ao espaço aéreo e aos aeroportos europeus", acrescentou a chefe do executivo comunitário que vai agora, em conjunto com o Alto Representante para a Política Externa, preparar o conjunto de novas medidas.

"Roman Protasevich deve ser libertado imediatamente", exigiu a Von der Leyen, avisando que "as autoridades bielorrussas são inteiramente responsáveis pela saúde dele e da namorada, Sofia Sapega".

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel disse no final da noite que a União Europeia "não tolera que tentem jogar à roleta russa com a vida de civis inocentes, isso é inaceitável". Para o belga, as decisões adotadas pelos 27 são "o reflexo da gravidade dos acontecimentos".

No documento aprovado pelo Conselho Europeu, a União Europeia formaliza o pedido para a Organização da Aviação Civil Internacional a "investigar urgentemente este incidente sem precedentes e inaceitável".

O Conselho Europeu "exorta todas as transportadoras baseadas na UE a evitarem o sobrevoo da Bielorrússia", e pede ao Conselho para "a adotar as medidas necessárias para proibir o sobrevoo do espaço aéreo da UE por companhias aéreas da Bielorrússia", bem como "impedir o acesso aos aeroportos da UE de voos operados por essas companhias".

Os 27 fecharam também as conclusões sobre a Rússia, após a realização de um debate estratégico, em que condenam as atividades "ilegais provocatórias e perturbadoras (...) contra a UE, os seus Estados-Membros e não só".

O Conselho Europeu expressou "solidariedade para com a República Checa e apoia a sua resposta" de expulsar diplomatas russos, após o país ser incluído por Moscovo numa lista de "Estados hostis".

O Alto Representante para a Política Externa e a Comissão ficaram mandatados para "apresentarem um relatório com opções políticas sobre as relações UE-Rússia", para que seja debatido na cimeira que está marcada para daqui a um mês.

Com o tema inédito a impor-se na agenda da cimeira, alguns dos tópicos que deveriam ser debatidos, passaram para segundo plano. Mas, David Sassoli afirma que os 27 não podem ignorar os acontecimentos mais a sul.

David Sassoli participou ontem no arranque dos trabalhos da cimeira. Esta manhã a falar em Bruxelas, apelou à atenção dos 27 para a questão das migrações, na fronteira sul da UE.

"O Conselho Europeu, mas [também] todas as instituições, neste momento, não podem afastar-se do que se passa no Mediterrâneo e nas nossas fronteiras. As questões da imigração são uma prioridade para abordar com pragmatismo, procurando soluções pragmáticas concretas.

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