"Seja muito bem vindo, senhor Presidente." Von der Leyen "muito ansiosa" para trabalhar com Biden

Presidente dos EUA considera que relação com União Europeia é "uma oportunidade também para a América".

Joe Biden regressa esta terça-feira à sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, desta vez como chefe da administração americana. No encontro com os líderes de duas das principais instituições da União Europeia, estão em cima da mesa os dossiers das alterações climáticas, comércio, e vacinas.

Ursula von der Leyen diz-se "muito ansiosa" para trabalhar com a nova administração dos Estados Unidos, agora que o presidente norte-americano visita Bruxelas.

"Que prazer tê-lo aqui, que honra em o ter aqui", afirmou Von der Leyen, considerando que "o facto de ter vindo aqui tão cedo no seu mandato, sublinha o seu envolvimento pessoal para com a Europa. E, nós apreciamos isso".

"Bem senhor presidente, caro Joe, estamos muito satisfeitos por o recebermos, em Bruxelas", confessou Charles Michel, enquanto deu as boas-vindas a Biden, à entrada para a reunião.

"Está a regressar a Bruxelas, e a América está de volta à cena internacional. São boas notícias para os Aliados, e também são boas notícias para o mundo", disse Michel, perante um presidente que vê a relação, com o lado europeu do Atlântico, como uma "boa oportunidade" para a América.

"Penso que temos uma boa oportunidade de trabalharmos com ambos, a União Europeia e a Nato", afirmou Joe Biden, confessando que se "sente muito bem em relação a isso".

"A América está de volta. Estamos comprometidos com algo que nunca chegámos a abandonar completamente. Mas estamos a reafirmar o facto de que é enorme o interesse dos Estados Unidos da América em ter um ótimo relacionamento com a NATO e com a UE", afirmou.

Referindo-se ao período de administração de Donald Trump, a presidente da Comissão Europeia contou a Biden que "os últimos quatro anos não foram fáceis", na relação com os Estados Unidos.

"O mundo mudou dramaticamente, a Europa mudou. Mas queremos assegurar-lhe que somos amigos e aliados, e estamos realmente muito ansiosos para trabalharmos juntos", confessou a presidente da Comissão Europeia.

Recorde-se que desde a vinda de Barack Obama, em 2014, que a União Europeia não recebia a visita do chefe da administração norte-americana. E, no ano seguinte, quando o "génio muito estável", Donald Trump esteve em Bruxelas, para a cimeira da nato, o encontro terminou depois de ameaças de rutura do elo transatlântico.

O momento tenso obrigou a uma reunião de crise, para discutir o futuro da Aliança. Naquela altura, Trump referiu-se a um "encontro fantástico", porém, sem levantar a ameaça de retirada.

"Penso que provavelmente posso [retirar os Estados Unidos da Nato], mas é desnecessário", disse o presidente Americano, manifestando satisfação por "as pessoas terem avançado até onde nunca tinham ido antes", relativamente à "partilha de encargos".

"Tu, Angela"

Quem esteve na cimeira da Nato, em 2018, ainda se lembra que antes da conferência de imprensa, fontes oficiais, estiveram na sala reservada aos jornalistas, lançando o caos, ao avançar que Donald Trump disse aos aliados que "devem aumentar os gastos até janeiro de 2019 ou os Estados Unidos continuarão sozinhos".

Naquela cimeira, os Aliados assistiram ao espetáculo da insatisfação de Trump, que colocou as negociações num nível pouco comum, em encontros de Chefes de Estado ou de governo. Algumas fontes, citaram Trump dizendo que este se dirigiu à chanceler alemã, como "tu, Angela" e o tom não agradou a ninguém na sala. Mas, isto viria a ser apenas um pormenor da discussão.

O primeiro-ministro, António Costa considerou que se tratava de "um estilo negocial", que é diferente para "cada líder e para cada país". "Mas, a Nato não é uma organização que tenha nascido ontem, nem é um evento conjuntural", disse.

Merkel disse mais tarde que houve uma discussão em que "o presidente americano exigiu o que tem sido discutido há meses e que há uma mudança na divisão de encargos".

"Deixei claro que estamos neste caminho. E que isso é de nosso interesse e vai tornar-nos mais fortes", afirmou Merkel, numa frase aparentemente polida para o discurso público, comum a todos, nomeadamente ao secretário-geral. Jens Stoltenberg referiu-se a "uma discussão muito franca e aberta (...) e essa discussão tornou a Nato mais forte".

Não deve admirar ninguém que ontem se a reunião com Joe Biden, que deixa Bruxelas com múltiplos elogios, represente um "virar de página", como afirmou, António Costa.

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