Serão "muito difíceis". Rússia saúda disponibilidade de Biden para "conversações sérias"

O porta-voz do Kremlin já antecipou que as próximas conversações serão "muito difíceis" e devem conduzir a uma revisão da arquitetura de segurança europeia pós-Guerra Fria.

A Rússia congratulou-se nesta quarta-feira com a disponibilidade dos Estados Unidos da América (EUA) para "conversações sérias" que permitam desanuviar a crise sobre a Ucrânia, manifestada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden.

"É positivo que o Presidente dos EUA também tenha manifestado a sua disponibilidade para negociações sérias", disse o porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitry Peskov, citado pela agência francesa AFP.

Peskov disse que as próximas conversações serão "muito difíceis" e devem conduzir a uma revisão da arquitetura de segurança europeia que emergiu da Guerra Fria, que opôs a antiga União Soviética aos EUA e respetivos aliados.

"Será muito difícil, será necessária muita flexibilidade de ambos os lados, vontade política", comentou o porta-voz do Kremlin.

Num discurso à nação na terça-feira, Joe Biden defendeu negociações diplomáticas com Moscovo para resolver a crise sobre a Ucrânia.

Biden também disse que os EUA apresentaram novas medidas de controlo de armamento e de manutenção de estabilidade para permitir um "ambiente seguro na Europa".

"Não iremos sacrificar os nossos princípios básicos. As nações têm direito à sua soberania territorial e à liberdade de escolher o seu próprio caminho. Escolher o tipo de ambiente que desejam viver", alertou, no entanto.

O Ocidente acusa a Rússia de ter concentrado mais de cem mil tropas nas fronteiras da Ucrânia para invadir novamente o país vizinho, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.

A Rússia nega qualquer intenção bélica, mas exige que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) retire as suas infraestruturas militares do Leste da Europa.

Moscovo exige também o fim da política de alargamento da NATO aos países do leste da Europa que fizeram parte da União Soviética (1922-1991), como a Ucrânia e a Geórgia.

A Ucrânia inscreveu o seu objetivo de aderir à NATO e à União Europeia (UE) na sua Constituição, através de uma emenda constitucional aprovada em 2019.

Relativamente à Ucrânia, a Rússia exige ao Ocidente uma garantia juridicamente válida de que o país vizinho nunca será membro da NATO.

Os aliados rejeitam as exigências russas e mantêm a política de porta aberta da NATO, bem como o respeito pelo direito de cada país de decidir as suas alianças militares.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A TENSÃO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

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