Coronavírus alastra-se fora da China. Vários países confirmam casos

Há três cidades chinesas em quarentena.

O coronavírus que teve origem na cidade chinesa de Wuhan já chegou a sete países além da China. Já foram confirmados casos na Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Singapura, Taiwan, Tailândia, Vietname e na região de Macau.

Há ainda suspeitas de casos da doença em França, no México, nas Filipinas, na Austrália e também na Escócia, onde as autoridades estão a vigiar quatro pessoas que viajaram recentemente da China.

Pensava-se que uma enfermeira indiana na Arábia Saudita também tivesse contraído este coronavírus, mas testes recentes mostraram que a estirpe que contraiu é a que foi registada em 2015.

As autoridades chinesas colocaram esta quinta-feira três cidades de quarentena, num esforço inédito que visa travar a propagação do novo tipo de coronavírus que já matou 18 pessoas e infetou quase 600.

À TSF, o antigo diretor-geral da Saúde, Constantino Sakellarides, explica que perceber o número de casos, mortes e locais onde o vírus já chegou é importante, mas é também necessário saber se "uma comunidade onde aparece um caso importado tem condições para que esse caso importado dê origem a novos, ou seja, que haja condições para a sua transmissão".

Sakellarides lembra que a epidemia registada na década passada, causada por um vírus "aparentado" com este, apresentava "poucas condições" para se transmitir no continente europeu, algo que pode servir de base para avaliar a capacidade de transmissão deste novo vírus na Europa.

Quanto ao papel da Organização Mundial de Saúde, Constantino Sakellarides avisa que a decisão de declarar emergência de saúde pública internacional deve ser muito bem ponderada, uma vez que terá grande impacto económico e social.

"Significa alterar muita coisa nas vidas das pessoas, limitar viagens e circulação de pessoas, medidas que não só são incómodas para as pessoas, como têm muitas vezes repercussões económicas importantes", alerta.

Três cidades em quarentena

As entradas e saídas de Wuhan, a sétima maior cidade da China, com onze milhões de habitantes, e de duas cidades vizinhas, Huanggang e Ezhou, foram proibidas ao longo do dia desta quinta-feira, apanhando milhões de pessoas desprevenidas, na véspera do início das férias do Ano Novo Lunar.

A principal festa das famílias chinesas, equivalente ao Natal nos países ocidentais, é também a maior migração interna do planeta: segundo o Ministério dos Transportes chinês dever-se-ão registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Após a notificação das autoridades, legumes e outros bens esgotaram rapidamente nos supermercados da cidade, à medida que as famílias foram acumulando mantimentos. Nas bombas de gasolina, formaram-se também longas filas ao longo do dia, descreveram à agência Lusa portugueses radicados na cidade.

Imagens difundidas nas redes sociais chinesas mostram os hospitais locais a abarrotar de pessoas que acorreram a fazer análises clínicas. Longas filas formaram-se também no aeroporto e estação de comboios, à medida que os residentes tentaram abandonar Wuhan.

Em Pequim, o Departamento de Cultura e Turismo cancelou eventos públicos e a Cidade Proibida, um dos ex-líbris da cidade, foi encerrada.

O vírus foi inicialmente detetado no mês passado num mercado de mariscos nos subúrbios de Wuhan, que é também um importante centro de transporte doméstico e internacional, mas alastrou-se, entretanto, a vinte e cinco províncias do país. Há também casos registados em Taiwan, Hong Kong, Macau e Singapura.

A doença foi identificada como um novo tipo de coronavírus, semelhante à pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong

Durante o surto de SARS, milhares de pessoas em Pequim foram colocadas em quarentena, mas o isolamento inteiro de cidades é uma decisão inédita na República Popular.

Inicialmente as autoridades chinesas reportaram apenas 41 pacientes, todos em Wuhan, e descartaram que a doença fosse transmissível entre seres humanos, mas o número de infetados aumentou rapidamente esta semana.

A transmissão entre seres humanos foi também confirmada na terça-feira.

O Comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde volta a reunir-se hoje em Genebra, na Suíça, para decidir se declara emergência de saúde pública internacional o surto do novo coronavírus.

Os regulamentos internacionais estipulam que um surto pode ser designado como emergência internacional num "evento extraordinário", que represente um risco além-fronteiras, exigindo uma resposta coordenada entre vários países.

Emergências de saúde globais recentes incluem a epidemia do Ébola, entre 2014 e 2016, na África Ocidental, e o surto de Zika, em 2015, na América Latina.

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