Sindicatos de toda a Europa querem falar a uma só voz em nome dos trabalhadores

A Confederação Europeia de Sindicatos reúne-se esta terça-feira, em Viena, na Áustria para o seu 14º congresso, com a presença do primeiro-ministro português, que vai participar como orador.

Em entrevista à TSF, o presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, organismo que representa as maiores estruturas sindicais da Europa, - os sindicatos tradicionais, como a CGTP ou a UGT -, olha para Portugal como um exemplo e quer que a União Europeia seja capaz de replicar as políticas do governo português.

Num a Europa em permanente mudança, ainda no rescaldo da crise e dos anos de austeridade, o presidente da confederação europeia diz-se preocupado com os entraves que em diversos países impedem o acesso das novas profissões ao sindicalismo.

"Muito frequentemente enfrentamos obstáculos à organização dessas pessoas, até porque as empresas se opõem à entrada dos sindicatos nas suas instalações. Ou, até porque algumas vezes, há quadros legais em alguns países, que impões os trabalhadores das plataformas, os geeks, ou freelancers e independentes para integrarem os sindicatos e terem contratação coletiva, porque é considerado um cartel e uma violação das leis da concorrência e temos de acabar com isso", afirma.

Luca Visentini reconhece que os sindicatos não estão imunes ao populismo que atinge a Europa, por isso, considera urgente enfrentar os múltiplos desafios que se colocam às estruturas sindicais.
"O problema, para nós, é em contactar com os novos trabalhadores para os conseguir organizar", afirmou em declarações à TSF, em Bruxelas.

Ainda assim, identifica na Europa os sinais de uma mudança com menos austeridade, nomeadamente pelo percurso que foi seguido "na segunda metade" do mandato do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

"Na primeira fase da Comissão Juncker, estávamos um bocado desiludidos, porque ele estava mais ou menos a aplicar mesma agenda de desregulação que tinha sido estabelecida pelo anterior presidente Barroso. Depois do segundo ano, posso dizer que a estratégia do Juncker mudou, porque ele começou a aplicar políticas (...) que fizeram a diferença. A primeira foi sobre investimento, porque ele relançou o investimento na Europa, através do chamado Plano Juncker", frisou, considerando que "a Europa social está a voltar aos carris", até com liderança portuguesa pelo meio.

"António Costa é o homem que fez um milagre, em certa medida, implementando políticas económicas progressistas, mas ao mesmo tempo, sem violar as regras do semestre europeu e da governação económica europeia", considerou Luca Vicentini quer agora ver replicado "o milagre" por toda a Europa.

"As políticas que António Costa e o seu governo tem implementado nos últimos anos são exatamente as políticas que nós queremos no resto da Europa. Mais investimento, mais empregos, melhores empregos, melhor proteção, mais negociação coletiva, salários mais altos", disse o líder da Confederação, para quem "estas são exatamente as políticas anti-austeridade e mais progressistas que quer pôr em prática em todo o lado".

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