Sobe para 20 o número de capitais provinciais tomadas pelos talibãs

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, informou este sábado que está a desenvolver contactos políticos com vista a restabelecer a "paz e estabilidade" no país.

O número de capitais provinciais do Afeganistão sob o domínio dos talibãs subiu nas últimas horas para 20, após os insurgentes terem conquistado Asadabad, na província oriental de Kunar, a terceira localidade do país a ser tomada este sábado.

"Os talibãs entraram em Asadabad e capturaram a maior parte da cidade, incluindo a sede da polícia, a casa do governador e o resto das instituições governamentais", relatou, em declarações à agência espanhola EFE, um membro do Conselho Provincial de Kunar, identificado como Latif Fazli.

Após a chegada à localidade, os talibãs abriram os portões da prisão provincial e libertaram todos os prisioneiros, acrescentou a mesma fonte.

O anúncio da tomada de Asadabad surge poucas horas depois da divulgação da conquista pelos talibãs de Qalat, capital de Zabul, enquanto atacavam a província vizinha de Kandahar.

"A cidade de Qalat [...] foi capturada durante a conquista de Kandahar. O gabinete do governador, o quartel-general da polícia, o centro dos serviços de informação e todas as instalações da cidade foram capturadas", disse o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujadih, através de uma publicação na rede social Twitter.

Antes, os talibãs já tinham reivindicado a captura de Sharana, capital da província de Paktika, no sudeste do país.

Nos últimos três meses e meio, os rebeldes assumiram o controlo de 140 centros distritais, de mais de metade das capitais de província do país -- 20 de um total de 34 - e quase dez passagens de fronteira, a maior conquista territorial em duas décadas de guerra.

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, informou este sábado que está a desenvolver contactos políticos com vista a restabelecer a "paz e estabilidade" no país.

"Iniciei consultas", que "estão a avançar rapidamente", dentro do Governo, com líderes políticos e com parceiros internacionais, para encontrar "uma solução política em que a paz e a estabilidade sejam proporcionadas ao povo afegão", disse Ghani, numa declaração transmitida pela televisão, a primeira desde os grandes avanços das forças rebeldes nos últimos dias.

Também anunciou que a remobilização das forças de segurança afegãs é a "maior prioridade" face ao rápido avanço dos talibãs no território.

"Na situação atual, a remobilização das forças de segurança é a nossa maior prioridade e estão a ser tomadas as medidas necessárias para esse fim", garantiu o chefe de Estado afegão.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas já manifestou a sua preocupação com a escalada da violência no Afeganistão na sequência da ofensiva militar lançada pelos talibãs e instou os rebeldes e o Governo a avançarem para negociações.

A grande ofensiva dos talibãs contra as forças do Governo afegão começou no início de maio, após começar a retirada final das forças internacionais (Estados Unidos e NATO) do Afeganistão.

A saída dos militares estrangeiros do país da Ásia Central deve estar concluída no final deste mês, 20 anos depois do início da sua intervenção para afastar os talibãs do poder, após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, organizados pela Al-Qaida, grupo acolhido no Afeganistão.

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