"Sociedade intolerante." Rádio Capital recusa fechar portas após novo ataque

Para o diretor executivo, os ataques à emissora são a fatura a pagar por uma linha editorial ousada.

A Rádio Capital, na Guiné-Bissau, voltou a ser atacada na segunda-feira. Não foi a primeira vez e o diretor executivo acredita que não será a última. Lassana Cassama conta que o primeiro ataque à Rádio Capital foi a 26 de julho de 2020 e que desde então o Ministério do Interior tem assegurado a segurança das instalações. Neste mais recente ataque ficaram feridas sete pessoas entre jornalistas, técnicos e administrativos.

"Não foram feridos por bala, mas sim na tentativa de saltar do edifício porque estamos no primeiro andar. Muitos tiveram problemas físicos, uma está mais grave e estamos neste momento a tratar do processo. À partida deverá sair da Guiné para Portugal na sexta-feira. É jornalista, está num estado crítico. Estava inconsciente, mas ontem já estava a falar, a perceber algumas coisas e decidimos evacuá-la para Portugal", explicou à TSF Lassana Cassama.

Para o diretor executivo, os ataques à emissora são a fatura a pagar por uma linha editorial ousada.

"Ainda temos uma sociedade fechada e intolerante, que não compreende o mundo de liberdade e aceitabilidade de opiniões contrárias. A Rádio Capital emergiu em 2015, trouxe uma nova forma de fazer rádio e uma nova linha filosófica que abre as suas emissões permitindo que as pessoas participem para discutir os problemas do país. Os políticos não gostam desta forma de fazer rádio, isto tem incomodado muito os setores políticos na Guiné-Bissau que não compreendem que o mundo já mudou. Daí termos sido alvo de muitos ataques e ameaças", esclareceu o diretor executivo.

No entanto, parar não é opção. O diretor executivo da Rádio Capital promete manter uma linha editorial ousada quando forem retomadas as emissões.

"Não podemos retirar-nos, seria o suicídio. Somos jornalistas, acreditamos no que fazemos e fazemo-lo o melhor que podemos. É assim que acreditamos poder servir o povo guineense, não há outra forma sem ser continuarmos com essa linha filosófica. No dia em que pararmos de pensar que podemos continuar com esta nossa linha filosófica e editorial a Rádio Capital desaparecerá", acrescentou Lassana Cassama.

Fundada em 2015, a Rádio Capital deixou de emitir na segunda-feira, não só por questões de segurança mas também porque os equipamentos foram destruídos no ataque às instalações. A retoma das emissões vai depender dos donativos recolhidos em várias campanhas que estão a decorrer.

O ataque à Rádio Capital aconteceu quase uma semana depois de uma tentativa de golpe de Estado. A presidente do Sindicato de Jornalistas da Guiné-Bissau disse na terça-feira que há uma ameaça ao exercício do jornalismo e pediu à comunidade internacional para "dar a cara" e apoiar o país e os profissionais da comunicação social.

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