Sofrimento "não pode tornar-se novo normal" na Ucrânia

Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que o nível de danos e destruição que viu em Izium foi "chocante".

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, defendeu esta quarta-feira em Kiev que o sofrimento em que estão milhões de civis em toda a Ucrânia "não pode tornar-se o novo normal".

Falando na capital ucraniana, após uma visita oficial de quatro dias ao país, Volker Türk disse que o nível de danos e destruição que viu em Izium foi "chocante", segundo um comunicado divulgado pela ONU.

Em Busha, a norte de Kiev, onde, pouco depois da retirada das tropas russas, foram mostradas imagens de cadáveres de civis espalhados nas ruas, empilhados, alguns carbonizados, outros amontoados em valas comuns, desencadeando a indignação da comunidade internacional, o Alto-Comissário da ONU disse que o trauma da população "permanece evidente".

Acrescentou temer por todos os cidadãos do país que poderão ser vítimas do "longo e sombrio inverno que se aproxima", confirmando igualmente que as consequências da guerra na Ucrânia têm "sido devastadoras" em matéria de direitos humanos.

"O prognóstico é muito preocupante", declarou o responsável da ONU, sublinhando que o Alto-Comissariado continua a receber informação sobre crimes de guerra "todos os dias".

"Continuam a chegar-nos informações sobre execuções sumárias, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e violência sexual sobre mulheres, meninas e homens", precisou.

A sua visita ao país invadido pela Rússia a 24 de fevereiro deste ano coincidiu com a divulgação de um novo relatório sobre o assassínio de civis pela Missão da ONU de Monitorização dos Direitos Humanos na Ucrânia.

O relatório documenta o que aconteceu a 441 civis em zonas de três regiões do norte do território ucraniano -- Kiev, Chernigiv e Sumi - que estiveram sob controlo russo até ao início de abril.

A missão das Nações Unidas na Ucrânia está também a trabalhar no sentido de corroborar acusações de mais assassínios nessas regiões e em partes das regiões de Kharkiv e Kherson que foram recentemente recuperadas pelas forças ucranianas, indicou Türk.

Alguns foram mortos "quando estavam a cortar lenha ou a comprar mercearias", referiu, acrescentando que existem "fortes indicações de que as execuções sumárias documentadas no relatório constituem o crime de guerra de homicídio doloso".

Sobre os prisioneiros de guerra, o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos insistiu que eles devem "sempre ser tratados humanamente" e explicou que o direito internacional prevê que podem ser levados a tribunal "só se forem suspeitos de crimes de guerra".

Como resultado direto da invasão russa, 17,7 milhões de pessoas precisam presentemente de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento, precisou o responsável.

Volker Türk indicou ainda que um terço da população da Ucrânia se viu obrigada a fugir de casa, tendo quase 7,9 milhões de pessoas abandonado o país - na maioria, mulheres e crianças - e estando 6,5 milhões internamente deslocadas.

De 24 de fevereiro a 05 de dezembro de 2022, a agência das Nações Unidas a que preside confirmou 6.702 civis mortos e 10.479 feridos na Ucrânia, embora sublinhe que estes números estão muito aquém dos reais.

"Deixem-me sublinhar que a forma mais eficaz de impedir esta longa lista de atrocidades de prosseguir é pôr fim a esta guerra sem sentido - nos termos com a Carta da ONU e o direito internacional", reiterou o Alto-Comissário.

"O meu maior desejo é que todas as pessoas da Ucrânia possam usufruir do direito à paz", concluiu.

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