Soldados em Azovstal recusam render-se. "Somos testemunhas de crimes de guerra"

O complexo de Azovstal foi evacuado, mas os militares não podem garantir que já não há civis no local.

Os soldados ucranianos que estão há várias semanas nas galerias subterrâneas do complexo metalúrgico de Azovstal, em Mariupol, garantiram que não se vão render à Rússia.

"A rendição não é uma opção", afirmou o vice-comandante do batalhão de Azov, Ilya Samoïlenko, numa conferência de imprensa inédita, transmitida em direto. "Seria uma prenda para o inimigo."

Ilya Samoïlenko afirma que 25 mil pessoas morreram em Mariupol desde o início da guerra e que não é possível dizer se todos os civis já foram retirados da fábrica que durante meses serviu de abrigo a centenas de pessoas.

Pelo menos três militares Azov morreram durante as operações de retirada dos civis, um num dos veículos e dois atingidos por bombas. Outros seis ficaram feridos.

O militar relatou ainda que a noite foi de intensos bombardeamentos. Os russos não estão interessados nas vidas dos militares Azov porque "somos testemunhas dos crimes de guerra cometidos pela Rússia", vincou.

Ilya Samoïlenko diz que os militares do batalhão Azov não esperam serem tratados como heróis, mas acusa o governo ucraniano de ter falhado na defesa de Mariupol: não receberam armas, meios de transporte, nem quaisquer apoios, acusa.

Em contrapartida, assegura, os soldados do batalhão de Azovstal fizeram mais de 2500 baixas entre as tropas russas, feriram 500 soldados, destruíram 60 tanques e danificaram outros 30.

Só este batalhão é responsável por 15% das perdas russas em toda a Ucrânia, assegura o militar.

"Muitas pessoas deram a vida pela defesa da Ucrânia e do mundo livre. Não desperdicem este sacrifício", apela.

Na sexta-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a cidade de Mariupol está "completamente destruída" e que à Rússia apenas resta apoderar-se do seu complexo siderúrgico, Azovstal.

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