Suspeito de ter morto reféns ocidentais na Síria começa a ser julgado

Elsheikh, alegado membro do estado islâmico, terá feito parte do grupo a que os reféns chamavam "The Beatles", por causa da pronúncia britânica. O grupo é suspeito de ter decapitado quatro reféns.

Esta terça-feira, na sala de audiências, foi a escolha do júri, esta quarta-feira na Virgínia, começam as alegações iniciais.

El Shafee Elsheiikh, que nasceu no Sudão, mas viveu praticamente toda a vida em Inglaterra, é acusado da morte de dois jornalistas norte americanos, James Foley e Steven Sotloff, e dos trabalhadores humanitários, Peter Kassig e Kayla Mueller. Eles foram mortos em 2014 e 2015. Os vídeos da decapitação destes reféns foram divulgados na internet.

Elsheiikh é ainda acusado de ter participado nas mortes de dois trabalhadores humanitários britânicos, David Haines e Alan Henning, e dos jornalistas japoneses, Haruna Yukawa e Kenji Goto.

O grupo de britânicos é suspeito de ter raptado, entre 2012 e 2015, em nome do estado islâmico, dezenas de pessoas de 15 nacionalidades. Alguns dos reféns foram libertados depois de ter sido pago um resgate, mas 27 foram executados. Os "The Beatles" eram conhecidos pela brutalidade com que tratavam os prisioneiros. Dois deles, Elsheikh e Alexanda Kotey, torturavam os reféns através de afogamentos simulados, choques elétricos e execuções falsas.

Alguns dos reféns libertados vão ser ouvidos no julgamento como testemunhas. O fotojornalista espanhol Ricardo Garcia Vilanova, que esteve 6 meses nas mãos do quarteto, descreveu-os como sádicos e garantiu que as torturas e execuções eram acontecimentos diários.

Dois dos 4 elementos desta célula do estado islâmico, Elsheikh e Alexanda Kotey, foram detidos em 2018 no Iraque e entregues aos Estados Unidos. Kotey confessou os assassinatos, o apoio a um grupo terrorista e também o crime de conspiração para matar cidadãos americanos. No próximo mês será condenado a prisão perpétua, mas o acordo prevê que depois de 15 anos possa ser transferido para o Reino Unidos onde cumprirá o resto da pena.

Londres retirou-lhes a nacionalidade, mas só aceitou que fossem para os Estados Unidos depois de os americanos se terem comprometido a não os condenarem à morte.

Os outros dois elementos, Mhammed Emwazi, foi morto num ataque em 2015 e Lesley Davis foi condenado na Turquia por terrorismo. Depois dos 7 anos nas cadeias turcas deverá ser extraditado para o Reino Unido.

El Shafee Elsheikh afirma que é inocente, diz que foi Mhammed Emwazi, conhecido como "Jihadi John", que matou os reféns depois de ter recebido ordens da liderança do estado islâmico. Os reféns que sobreviveram dizem que ele era o principal torturador do grupo.

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