Taliban do Paquistão terminam cessar-fogo com o Governo e anunciam novos ataques

Tehreek-e-Taliban Pakistan referiu, em comunicado, que decidiu terminar o cessar-fogo de cinco meses, depois do Exército do Paquistão ter intensificado as operações contra este grupo.

Os taliban paquistaneses terminaram esta terça-feira um cessar-fogo de um mês com o Governo de Islamabade, determinando que os seus combatentes retomem as ofensivas em todo o país, onde dezenas de ataques mortais foram atribuídos ao grupo insurgente.

O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP, taliban paquistaneses) referiu, em comunicado, que decidiu terminar o cessar-fogo de cinco meses, depois do Exército do Paquistão ter intensificado as operações contra este grupo em regiões tribais do noroeste e em outros locais na província de Khyber Pakhtunkhwa, que faz fronteira com o Afeganistão.

O Paquistão e o TTP concordaram com um cessar-fogo sem data de término em maio, após negociações na capital do Afeganistão.

O Governo paquistanês ou as Forças Armadas ainda não comentaram este anúncio, noticiou a agência Associated Press (AP).

Os taliban paquistaneses são um grupo separado mas aliado dos taliban afegãos, que tomaram o poder no Afeganistão há mais de um ano, quando as tropas dos Estados Unidos e da NATO se encontravam nos estágios finais da sua retirada.

A subida dos taliban ao poder no Afeganistão encorajou o TTP, que tem os principais líderes e combatentes escondidos no país vizinho.

O final do cessar-fogo é um revés para os esforços executados pelos taliban afegãos desde o início do ano, para facilitar um acordo de paz com o objetivo de acabar com a violência.

Cabul recebeu as negociações entre o TTP e representantes do governo do Paquistão e das forças de segurança. Este anúncio também ocorre um dia antes do chefe do Exército do Paquistão, o general Qamar Javed Bajwa, que aprovou o controverso cessar-fogo com o TTP em maio, sair do cargo após completar o seu mandato de seis anos.

Bajwa entregará o comando das Forças Armadas ao recém-nomeado chefe do exército, o general Asim Munir, numa cerimónia na cidade militar de Rawalpindi que decorre esta terça-feira e que terá uma forte organização de segurança, por receios de atos de violência.

O general em fim de mandato realizou nos últimos anos uma série de operações militares contra o TTP antes de concordar com as negociações de paz, que travou uma insurgência no Paquistão de 14 anos.

O TTP tem lutado por uma aplicação mais rigorosa das leis islâmicas no país, pela libertação dos seus membros que estão sob custódia do Governo e pela redução da presença militar do Paquistão nas antigas regiões tribais do país.

Durante as negociações, as autoridades do Paquistão pediram ao TTP para se desfazer. Islamabade também queria que os insurgentes aceitassem a sua Constituição e cortassem todos os laços com o grupo Estado Islâmico, outro grupo militante sunita com uma afiliada regional que atua tanto no Afeganistão quanto no Paquistão.

No entanto, ambos os lados parecem ter mantido as suas posições desde o início das negociações de paz. Num outro comunicado, o TTP divulgou que atacou um veículo que transportava tropas paquistanesas no distrito de Waziristão do Norte, perto da fronteira com o Afeganistão, causando baixas.

Este ataque não foi confirmado pelos militares e o comunicado não adiantou mais informações. Os taliban paquistaneses há anos que usam as regiões fronteiriças acidentadas do Afeganistão como esconderijos e para realizar ataques transfronteiriços no Paquistão.

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