Taliban e os direitos das mulheres. Afinal, o que defende a sharia?

Até ao momento, os taliban têm defendido que respeitarão os direitos das mulheres, desde que estas sigam a lei islâmica. Mas o que diz a sharia, para quem a segue ao "pé da letra"?

A sharia, o sistema de lei islâmico que deriva do Corão e dos ensinamentos do profeta Maomé, informa e aconselha, em teoria, os muçulmanos sobre todos os aspetos da vida. Os crentes na religião islâmica recorrem a estas leis para guiarem cada passo, seja para decisões familiares ou para os negócios, as finanças e doações que devem ser feitas aos mais pobres.

Trata-se, por isso, de um sistema legal complexo, e os peritos religiosos, muitas vezes consultados em caso de dúvidas, diferem na interpretação de alguns preceitos. A sharia também não é consensual entre as cinco escolas da lei islâmica, e é interpretada mais ou menos à letra consoante os locais onde a religião é praticada.

Em árabe, a sharia pode ser traduzida como o "caminho bem trilhado e cristalino para a água", e que é estabelecido, segundo os muçulmanos, pela vontade de deus.

É com base neste código moral que os taliban dizem que governarão o Afeganistão. Na primeira conferência de imprensa após assumirem o poder, um porta-voz do grupo garantiu que a liberdade de imprensa e os direitos das mulheres seriam respeitados "dentro da estrutura da lei islâmica".

No entanto, não foram adiantados detalhes sobre o que isso significará na prática. No passado, os taliban ficaram conhecidos pela interpretação estrita da sharia, o que incluía punições severas como execuções públicas de homicidas e adúlteros condenados.

A sharia divide as infrações em duas categorias gerais: os crimes graves com penas definidas, e crimes "tazir", em que a punição fica ao critério do juiz. Entre as ofensas mais graves, encontram-se o roubo, que pode ser punido com amputação de uma mão.

Pela interpretação mais rígida da lei islâmica, as mulheres teriam de utilizar burca. Os taliban também desaprovavam, no passado, que meninas com dez ou mais anos frequentassem a escola.

As mulheres foram confinadas em casa, só podendo sair acompanhadas por um "guardião" do sexo masculino e deixando de poder trabalhar fora de casa, a televisão foi banida, bem como a música, lembram as gerações mais velhas no Afeganistão. As execuções públicas tomaram as ruas, entre 1996 e 2001, antes de os Estados Unidos passarem a exercer o seu poder, na sequência do 11 de setembro.

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