Taliban criam comissão para reabrir escolas secundárias para meninas

As escolas secundárias para meninas, entre os 12 e os 18 anos, foram encerradas quando os talibãs regressaram ao poder em 15 de agosto de 2021.

O governo talibã formou quinta-feira uma comissão para reabrir as escolas secundárias para meninas no Afeganistão, após a visita do relator especial da ONU, Richard Bennett, que lamentou a degradação dos direitos humanos no país.

"A comissão de nove membros foi formada para reabrir as escolas secundárias no Afeganistão e já começou a funcionar", disseram à agência de notícias Efe fontes governamentais de Cabul, sob condição de anonimato.

As fontes indicaram que "a comissão é liderada por Abdul Hakim Haqqani, o juiz supremo, e tem membros de diferentes organismos".

As escolas secundárias para meninas, entre os 12 e os 18 anos, foram encerradas quando os talibãs regressaram ao poder em 15 de agosto de 2021, enquanto o acesso de estudantes do sexo feminino ao ensino primário continuou a ser permitido.

A reabertura das escolas secundárias foi uma das principais exigências da comunidade internacional para reconhecer o domínio afegão dos fundamentalistas islâmicos.

Os talibãs anunciaram que iriam permitir que as meninas adolescentes voltassem às aulas em 23 de março, primeiro dia do ano letivo no Afeganistão após férias de inverno, embora em escolas segregadas por sexo e com aulas lecionadas por professoras.

No entanto, a alegria das jovens transformou-se em frustração no mesmo dia, quando muitas chegaram à porta dos centros educativos e receberam a notícia de que o governo tinha decidido manter o encerramento por falta de adaptação da lei islâmica aos programas escolares.

A nomeação desta comissão coincide com a conclusão da primeira viagem oficial ao país asiático do relator especial da ONU para a situação dos direitos humanos no Afeganistão, Richard Bennett.

Richard Bennett aterrou no Afeganistão no passado dia 15 de maio e, depois de se reunir com altos funcionários do governo interno dos talibãs, mostrou preocupação com a situação das mulheres.

O relator especial da ONU denunciou o problema numa conferência de imprensa, antes de encerrar a visita, onde expressou a sua "séria preocupação com a deterioração dos direitos humanos no país", garantindo que a eliminação das mulheres da vida pública "é particularmente preocupante".

Os talibãs chegaram ao poder com várias promessas de mudança, mas em quase um ano impuseram muitas limitações, que vão desde a imposição da burca até ao encerramento de escolas do ensino secundário, além da limitação de acesso ao mercado de trabalho.

Nesse sentido, Bennett denunciou que essas restrições "enquadram-se no padrão de segregação absoluta por género e procuram tornar as mulheres invisíveis".

Durante a sua permanência no poder, entre 1996 e 2001, os fundamentalistas seguiram uma rígida interpretação do Islão que os levou a proibir o acesso feminino às escolas e a confinar as mulheres em casa.

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