Tactical.vote: um guia tático para travar uma maioria de Boris Johnson

A premissa é simples: não votar no partido com que se simpatiza, mas sim no que vai causar maior incómodo aos conservadores.

As eleições britânicas aproximam-se a passos largos e, de um lado e do outro, contam-se espingardas para tentar conquistar todos os votos possíveis. Uma das estratégias que tem vindo a ser utilizada é a do voto tático.

A ideia é simples: não votar pelo partido com que se simpatiza, mas sim pelo que que tem mais hipóteses de derrotar Boris Johnson e os conservadores. É possível encontrar, na Internet, diversos sites dedicados a esta estratégia eleitoral e, entre eles, está o tactical.vote .

O portal conta com cerca de um milhão de visitas por dia e nele é possível perceber, por círculo eleitoral, qual o voto que permite retirar poder aos conservadores. O porta-voz Luke Cooper explica à TSF que a plataforma "faz cálculos, com base nos resultados das últimas eleições, sobre qual o partido mais bem colocado para derrotar os conservadores".

O mapa do voto tático é pintado sobretudo com a cor do Labour, de Jeremy Corbyn, mas surgem também, por vezes, as cores do Partido Nacionalista Escocês (SNP), dos Verdes ou dos Lib Dem, mas também do Plaid ou do Sinn Fein.

Luke não tem dúvidas: com tanto em jogo, é preciso acertar na forma como se usa o voto. ​"Este é um momento muito, muito perigoso na política britânica e temos de o travar. ​Portanto, temos de usar o voto com muito cuidado, temos de votar pelo candidato mais progressista num determinado círculo, para roubar a maioria de que Boris Johnson precisa para o seu acordo do Brexit."

A plataforma tactical.vote orgulha-se dos conselhos acertados que deu nas últimas eleições, em 2017. A taxa de acerto foi de 95,4%, contra os 92,9% e 89,1% de outros sites dedicados ao mesmo tema.

No site é possível ler-se que é relativamente simples perceber se uma recomendação de votação estava certa ou errada: basta, para isso, saber se o partido recomendado ganhou o círculo eleitoral em questão ou se, pelo menos, conseguiu o segundo lugar. Se a resposta for positiva, considera-se que a recomendação estava correta.

Luke Cooper, que até é filiado no Labour, arrisca-se a ser expulso por apelar ao voto noutros partidos, mas defende que para impedir uma maioria de Boris Johnson é preciso fazer cedências.

"O partido trabalhista tem de ser pragmático. Para conseguir um governo minoritário trabalhista, que é um cenário plausível para quinta-feira, tudo o que temos de fazer é negar uma maioria a Boris Johnson", recorda o responsável, que sublinha que "os trabalhistas têm aliados potenciais para um governo minoritário, que Johnson não tem".

Pelas contas da plataforma, o voto tático pode ser decisivo em cerca de 60 a 100 círculos eleitorais, onde a diferença é marginal. Mas se os conservadores conseguirem a maioria, avisa Luke, a crise não acaba. Antevê "protestos e manifestações" e deixa um aviso: "Isto não acaba se Johnson conseguir uma maioria. Acho que é uma batalha muito mais longa, sobre o país em que queremos viver."

O voto tático tem conseguido movimentar milhares de pessoas e, entre elas, contam-se caras conhecidas como a do ator Hugh Grant.

As eleições legislativas britânicas, convocadas antecipadamente para tentar romper o impasse relacionado com o Brexit, realizam-se esta quinta-feira, sendo que as sondagens apontam para uma maioria absoluta do partido Conservador de Boris Johnson.

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