Taras Shevchenko, o poeta "venerado" pela comunidade ucraniana

Quando há poucos dias se anunciou um cordão humano em Lisboa, cujo ponto de encontro era o monumento de homenagem a Taras Shevchenko, no Restelo, muitos terão ouvido, pela primeira vez, o nome do mais glorioso poeta ucraniano, e símbolo da resistência. "Lutai / Combatei ... Convosco está a verdade, a glória / e a sagrada liberdade", são os versos inscritos na base do monumento inaugurado em 2019, data em que se celebraram os 205 anos do seu nascimento. O busto é da autoria do escultor Hélder de Carvalho: "Dei-me conta de que realmente o povo ucraniano o vê como um herói e um exemplo perante a tragédia que agora se vive."

Escritor, poeta, político, pintor, é pois na Academia de Artes Russa que Taras Shevchenko começa por se destacar. Filho de agricultores, liberta-se da escravidão por conta do jeito para o desenho, tendo ganho várias medalhas e, desde logo insinuado através dos seus retratos, o olhar atento sobre o povo oprimido. Mas é nas letras e através da poesia que ganha a dimensão que hoje lhe é reconhecida, herói e o mais glorioso dos poetas ucranianos.

Hélder de Carvalho confessa "encantamento" perante a figura deste homem que teve de estudar, embalado pelo esforço e veneração da comunidade ucraniana em Lisboa, que o escolheu para erguer o busto que hoje é um entre os mais de 1300 monumentos de homenagem ao poeta que existem, um pouco por todo o mundo.

"Foi uma revelação inesperada, eu próprio me empolguei", recorda o escultor português, para quem "os traços podiam ser bem interpretados, já que tinha condições para me informar sobre o trabalho já feito ao longo de tantos anos". Lamenta a falta de tradução portuguesa dos versos do poeta "que admito que valha a pena conhecer melhor, tal é o exemplo de luta a favor da liberdade, e preocupação com os ideais da democracia".

"Kobzar", a sua obra maior, é o testemunho dos seus ideais revolucionários, e ainda hoje os seus versos inspiram canções e bordados ucranianos. Morreu em Fevereiro de 1861, tinha 47 anos, mas só três meses depois, o seu corpo foi sepultado na Ucrânia. "Queria ver as correntes do rio Dniepr", um dos seu últimos desejos, revelados no poema Testamento.

Em Lisboa, no Restelo, na Praça Itália, pousa o olhar sobre as correntes do rio Tejo.

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