"Temos de ver resultados." Alemanha assume presidência rotativa da UE

A Alemanha assume presidência da União Europeia, num semestre visto como dos mais exigentes, desde o pós-guerra.

Berlim inicia esta quarta-feira o ciclo de três presidências da União Europeia, com um programa conjunto com as duas capitais de se seguem, na coordenação dos trabalhos dos Conselho da União Europeia. Os próximos seis meses definirão muito do que será a presidência portuguesa da União Europeia, num dos períodos considerado como dos "mais difíceis".

A crise pandémica é um dos percalços, numa presidência que vai ainda ter de concretizar o Brexit definitivamente, nomeadamente através da conclusão do acordo de comércio com Londres. Entretanto terá de ter fechado o Quadro Financeiro para sete anos. Fazer aprovar o plano de recuperação é outro do primeiros desafios da agenda dos sucessores dos croatas na presidência rotativa da União Europeia.

Eurodeputados alemães e croatas, ouvidos em Bruxelas pela TSF, concordam que todas as atenções estão posta na atuação do Governo alemão, durante os seis meses da presidência da União Europeia.

"Demos o nosso melhor e estamos a passar a tocha olímpica à Alemanha para estabilizarem a União Europeia, numa altura em que precisamos das mais fortes mensagens, sobre como sair desta crise económica que o mundo inteiro vai enfrentar", afirma a eurodeputada conservadora croata Željana Zovko (PPE).

A pandemia é apenas um dos problemas, entre aqueles que a Berlim já teria de considerar, durante a presidência, nota a eurodeputada socialista alemã Katarina Barley (S&D), para quem o governo de Angela Merkel precisa de demonstrar que está à altura dos desafios.

"Temos de ver resultados, não temos outra escolha", afirma, dando os exemplos do "Brexit, ou do Quadro Financeiro". Mas, acrescenta outros pontos: "espero que vejamos resultados, espero realmente que sejamos fortemente comprometidos com as regras do Estado de Direito".

Para Katarina Barley, a lista continua com vários contratempos à espera dos ditos resultados durante a presidência germânica. "Um é resolver a perda de confiança na União Europeia. O outro é fortalecer a solidariedade dentro da União Europeia", nomeia.

O conservador alemão e eurodeputado Rainer Wieland (PPE) vê o primeiro teste ao governo de Berlim já este mês, com a necessidade de fechar o Quadro Financeiro Plurianual. O eurodeputado considera que Angela Merkel vai para já precisar de habilidade para negociar o plano de recuperação.

"Se se usa a palavra solidariedade, isso é importante. Mas, solidariedade tem tudo a ver com benefícios e também com obrigações. E, se olharmos para as questões financeiras e de recuperação, possivelmente diferentes países assumem posições diferentes", afirma.

Na bancada dos Socialistas, o eurodeputado alemão Udo Bullmann acredita que uma única presidência pode ser curta para resolver todos os problemas, e já reconhece que os seis meses seguintes, sob liderança portuguesa serão necessários para dar continuidade ao trabalho agora iniciado pelos alemães.

"Eu sei que seis meses são muito curtos. Mas o mais importante é que já estabelecemos uma excelente colaboração com o governo de Costa e não tenho dúvidas de que será um exercício bem-sucedido", afirmou à TSF, referindo-se às questões sociais.

Os governos já estão a trabalhar em conjunto há vários meses. E, muito recentemente, intensificaram o trabalho para que o desejado sucesso da agenda do trio, não venha a ser completamente achatado pela pandemia.

As três Presidências "farão o possível" para restaurar e aprofundar o mercado único, avançar na transição verde e a transformação digital", como declararam no texto assinado pelos três governos, em que definem o programa de trabalho do Conselho da União Europeia, previsto para 18 meses. O conjunto de compromissos está e linha com a estratégia que a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen tem vindo a defender, e que não sofreu alterações, apesar do novo paradigma dominado pela Covid-19.

O ministro de Estado para a Europa do governo Alemão, Michael Roth considera que a crise do coronavírus obrigou o trio Berlim-Lisboa-Liubliana "a reinventar" a presidência rotativa. "Desenvolvemos um programa comum para os próximos 18 meses e precisamos de respirar fundo para enfrentar o futuro", comentou, quando o acordo entre as três capitais ficou concluído, convicto que só "juntos", será possível "superar a crise".

Ao longo do próximo período de ano e meio, que se inicia a partir de agora com a coordenação alemã, o conjunto das três presidências propõe-se a "lutar pela soberania digital, garantir a autonomia estratégica da UE através de uma política industrial dinâmica, apoiar pequenas e médias empresas e start-ups, (...) para reduzir a dependência excessiva de países terceiros".

"O programa do Trio reflete a nossa visão comum sobre as prioridades da União Europeia para os próximos 18 meses", afirma a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias. "Essas prioridades incluem soluções europeias para melhorar a resiliência das nossas economias perante a crise económica sem precedentes", salientou.

Parte do trabalho iniciado nos seis meses de incumbência alemã, terá continuidade nos seis meses seguintes, dos quais Portugal está encarregado. Será nesta segunda etapa que "o programa do Trio dá especial atenção à dimensão social da crise e à implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais", continua a secretária de Estado. Em maio do próximo ano, Portugal organizará a Cimeira Social, a qual "pretende dar um impulso político" ao objetivo das questões sociais.

Finalmente, daqui a um ano, a Eslovénia promete assumir "com entusiasmo" a Presidência da UE pela segunda vez. O que será a Europa e julho de 2021, é um enigma que permanece encriptado pelo coronavírus. "Para que as sociedades e economias da Europa voltem a funcionar plenamente, precisamos de promover um crescimento sustentável e inclusivo, integrando a transição verde e a transformação digital", defende o secretário de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Eslovénia, Gašper Dovžan.

Este coloca também como prioritária a necessidade de "melhorar a resiliência da Europa, desenvolvendo planos para enfrentar emergências, tais como pandemias, ciberataques a nível global ou pressões migratórias". Mas, é relativamente consensual que há "desafios enormes" que se concentram nos primeiros seis meses, do ciclo de presidências.

"Não consigo lembrar-me de uma presidência que tenha sido confrontada com uma quantidade tão enorme de desafios, com a maior crise, desde a grande depressão, no século passado", avalia Udo Bullmann. O deputado acredita que "o quadro geral" sobre o "impacto económico e social do confinamento e das disrupções económicas" só será conhecido "em outubro".

"Ficaremos muito preocupados, quando vermos que as pessoas continuam a sofrer, apesar dos esforços nacionais que foram feitos. E, se olharmos para o que se passa nos Estados Unidos e América Latina, devemos prepararmo-nos, para que não tenhamos aqui uma crise sanitária e uma crise de miséria", previne o político alemão, esperando que o ciclo de presidências que está prestes a começar "ajude a Europa a sair mais forte desta crise".

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