Tempestade Ana deve provocar mais insegurança alimentar em Moçambique do que o esperado

Nas áreas que têm sucessivamente inundadas nos últimos anos, o cenário é de 'stress' alimentar.

A tempestade Ana deverá provocar níveis de insegurança alimentar mais graves do que o inicialmente previsto, anunciou a Rede de Alerta Antecipado de Fome (rede Fews, sigla inglesa).

"Nas áreas afetadas pela tempestade tropical Ana, prevê-se que a insegurança alimentar seja mais grave do que estava previsto", lê-se no relatório divulgado e consultado pela Lusa.

A rede remete uma análise detalhada para o próximo boletim de fevereiro.

Milhares de hectares de campos de agricultura de subsistência ficaram alagados ou destruídos.

A tempestade Ana abateu-se há uma semana sobre o Norte e Centro de Moçambique provocando pelo menos 20 mortos, segundo dados preliminares das autoridades locais e proteção civil, destruindo casas e muitas infraestruturas públicas, incluindo pontes vitais para levar mantimentos a povoações.

Vários levantamentos ainda estão em curso.

Dinis Chembene, coordenador de projetos da Oikos em Moçambique, confirma que se vive um momento crítico nos campos agrícolas, ainda mais porque já tinham sido atingidos por outras catástrofes naturais.

"Grande parte dessas comunidades estão num processo de recuperação dos embates anteriores como o ciclone Idai, o Chalane e o Eloise. O nível de produção não foi o esperado e este ano temos novamente a mesma situação. As famílias e comunidades não estão a produzir na sua máxima potencialidade e isso claramente criará situações de insegurança alimentar. Haverá pessoas com fome que estão impedidas de produzir, com os seus campos alagados e muitas não têm alternativa", explicou à TSF Dinis Chembene.

O coordenador da Oikos, que está em Chimoio, na província de Manica, sublinha que a situação das crianças é particularmente preocupante, até porque Moçambique é um país com uma população muito jovem.

"Para as crianças será certamente uma situação muito mais complicada. Moçambique já por si, tirando a questão destes fenómenos que têm atingido o país, tem situações de desnutrição muito graves. Com esta falta de alimentos esse tipo de casos vai aumentar. Diretamente para as crianças vai ser uma situação muito complicada e vai piorar aquilo que é o cenário que encontramos nas comunidades em termos de desnutrição crónica", acrescentou o coordenador de projetos da Oikos em Moçambique.

Embora a maioria das famílias mais pobres em todo o país esteja nesta época a enfrentar riscos mínimos de falta de alimentos, nas áreas que têm sucessivamente inundadas nos últimos anos o cenário é de 'stress' alimentar, nota o relatório.

Em Moçambique, mais de 2,9 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar severa e a desnutrição grave afeta quase metade das crianças com menos de cinco anos de idade, segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM).

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