Tensão entre Rússia e Ucrânia? "Existe" mas pode ser "muito mais teatral do que real"

À TSF, o general Luís Pinto Ramalho, que preside ao grupo de militares que analisa questões de segurança e conflito, aconselha que "nada se faça para desacelerar a crise" e defende o diálogo entre russos, americanos, ucranianos e europeus, sem "colocar pressões nem acelerações".

O chanceler alemão vai esta segunda-feira à Ucrânia e, na terça-feira, à Rússia. Olaf Scholz tem encontro marcado em Kiev com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Na terça-feira, reúne-se em Moscovo com o chefe
de Estado russo, Vladimir Putin.

No domingo, Scholz avisou que, em caso de invasão da Ucrânia, as sanções do ocidente contra a Rússia entram em vigor de imediato, mas também afirmou que as visitas a Kiev e a Moscovo são uma oportunidade para falar.

Nas últimas horas, Zelensky, o Presidente ucraniano, convidou Joe Biden para ir à Ucrânia nos próximos dias, considerando que seria um sinal poderoso para aliviar o clima devido à ameaça de um ataque militar russo.

Luís Pinto Ramalho, o general que preside ao grupo de reflexão estratégica independente, um grupo de militares que analisa questões de segurança e conflito, alerta que há algum teatro em todo este caso, mas não nega que exista alguma tensão, que alguns têm tentado aliviar.

"Temos visto e ouvido declarações que vão no sentido de, certo modo, diminuir a tensão. O próprio Presidente da Ucrânia chamou a atenção para os aspetos diplomáticos que continuam em desenvolvimento, aconselhou calma à população, referiu que o pânico é o pior inimigo da racionalidade, e que as coisas têm que ser encaradas com tranquilidade. Tensão existe, temos que ter a perceção de que, às vezes, a tensão é muito mais teatral do que real. Nós não medimos e não conseguimos fazê-lo, mas uma coisa é que o se passa no terreno, uma coisa é o que dizem as autoridades russas, outra coisa é o que diz a comunicação social, outra coisa é o que diz as declarações que se ouvem dos Estados Unidos e em alguns países da União Europeia", explica em declarações à TSF.

O general Pinto Ramalho defende também que a prioridade deve ser a diplomacia.

"O que se aconselha nesta situação é que nada se faça para fazer acelerar a crise. Há negociações, a via diplomática está aberta, deve ser privilegiado esse aspeto, o diálogo deve ser continuado entre russos, americanos, ucranianos, europeus. Não se devem colocar pressões nem acelerações neste processo. Julgo que não adianta falarmos em invasões e em situações dessa natureza na expectativa de que alguma coisa tem que acontecer", considera.

São cada vez mais os países que estão a aconselhar os respetivos cidadãos a sair da Ucrânia. O mais recente foi o Japão. Há 150 japoneses a viver no país e Tóquio recomenda que deixem imediatamente da Ucrânia.

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