"Tikhanouskaia não é um verdadeiro ícone"

Lituânia, membro da União Europeia e da NATO, tem historial de garantir refúgio a opositores, não só da Bielorrússia mas também da Rússia.

A líder da oposição na Bielorrússia, Svetlana Tikhanouskaia, seguiu viagem para a Lituânia. A informação foi avançada na manhã desta terça-feira pelo ministério lituano dos Negócios Estrangeiros e dá conta de que Tikhanouskaia chegou ao país e está a salvo.

A Lituânia, membro da União Europeia e da NATO, tem historial de garantir refúgio a opositores, não só da Bielorrússia mas também da Rússia, e revelou-se agora importante para Svetlana Tikhanouskaia, que não reconhece os resultados das presidenciais de domingo, que deram 80% dos votos a Alexander Lukashenko. O Presidente conseguiu o sexto mandato seguido debaixo de acusações de fraude eleitoral.

Alena Vysotskaya Guedes Vieira, que é professora no Centro de Investigação de Ciência Política da Universidade do Minho - onde está há cerca de dez anos, depois de ter passado pela Universidade de Coimbra -, acredita que não houve apenas uma falsificação dos resultados, mas sim uma inversão. Para esta docente, que já foi relatora sobre a Bielorrússia para o Parlamento Europeu, Svetlana Tikhanovska terá ganhado e por muito.

"É verdade que não acabou tão bem como os ativistas pensavam que ia acabar, mas há uma tentativa de contornar, de encontrar uma solução inovadora, para apresentar a realidade, que é muito distante da realidade que está a ser proclamada pelas autoridades bielorrussas. A realidade não só é muito diferente como é exatamente o contrário daquilo que as autoridades bielorrussas dizem", explicou à TSF Alena Vysotskaya Guedes Vieira.

Esta professora da Universidade do Minho concretiza a ideia de uma inversão total dos resultados das presidenciais.

"Essa percentagem está a ser confirmada pela votação em algumas regiões da Rússia e fora da Bielorrússia, em quase todas as embaixadas e pontos de voto, em vários países, talvez com exceção para a Turquia. Não vamos saber a percentagem real, mas acredito que seja mais ou menos essa", acrescentou a professora no Centro de Investigação de Ciência Política da Universidade do Minho.

"Aqui as pessoas não falam de Tikhanouskaia"

Em Minsk e em outras cidades do país, a noite passada foi mais uma de manifestações e confrontos com a polícia. O jornalista Alexandr Papko conta à TSF que agora a situação está mais tranquila e que as pessoas começam a perceber que Svetlana está a salvo na Lituânia, mas também sublinhou que esta não é uma verdadeira líder para a população da Bielorrússia.

"Aqui as pessoas não falam de Tikhanouskaia, não é um verdadeiro ícone. As pessoas estão zangadas com o regime, mas não contam com Tikhanouskaia como líder dos protestos. Ela não é a chefe, é apenas fúria popular. Acho que pode continuar por alguns dias, mas, sem liderança e uma estrutura permanente, qualquer protesto ou revolução não pode acontecer", afirma Alexandr Papko.

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