"Todos vamos para a rua, eles que se preparem." Músicos cubanos mobilizam-se nas redes sociais

Está marcada para segunda-feira uma manifestação, que tem como objetivo exigir a libertação dos presos políticos, e que acontece quatro meses depois do histórico dia de manifestações em que os cubanos reclamaram liberdade e disseram que passavam fome.

Em Cuba, a manifestação da oposição marcada para segunda-feira, em Havana, está a mobilizar os músicos nas redes sociais. O pianista Roberto Carcassés publicou um vídeo no YouTube a passear por Havana, ao longo do qual canta: "Todos vamos para a rua. Eles que se preparem."

A manifestação marcada para segunda-feira tem como objetivo exigir a libertação dos presos políticos, e acontece quatro meses depois do histórico dia de manifestações em que os cubanos reclamaram liberdade e disseram que passavam fome.

Nesse dia, uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas. As autoridades detiveram 1300 pessoas, e mais de 650 ainda estão na prisão.

Cuba retira credenciais a equipa da agência Efe e UE pede "esclarecimentos"

As autoridades cubanas retiraram no sábado as credenciais de imprensa da equipa da agência Efe em Havana, situação para a qual a União Europeia (UE) pediu "esclarecimentos", porque tal poderá significar uma "grave violação da liberdade de expressão".

Em declarações à agência AFP, o chefe de redação da equipa em Havana da agência de notícias espanhola Efe, Atahualpa Amerise, disse que as autoridades cubanas "convocaram com urgência" os cinco jornalistas, designadamente três redatores, um fotojornalista e um repórter de vídeo, e "pediram para devolver as credenciais".

A situação ocorreu no sábado, a dois dias da manifestação marcada pela oposição, para segunda-feira, para exigir a libertação dos prisioneiros políticos.

"Quando lhes perguntamos os motivos, invocaram o regulamento da imprensa estrangeira", acrescentou Atahualpa Amerise, sem especificar a razão exata da decisão que os proíbe de exercer a profissão de jornalista em Cuba.

O chefe de redação da equipa da Efe em Havana referiu ainda que perguntou às autoridades cubanas se a retirada das credenciais de imprensa seria uma situação temporária ou permanente, ao qual lhe disseram que "de momento não iriam responder".

Neste âmbito, a UE pediu neste domingo "esclarecimentos" às autoridades cubanas sobre a retirada das credenciais de imprensa da equipa da agência Efe em Havana, o que acredita que poderá significar uma "grave violação da liberdade de expressão".

"Vimos a informação. Estamos a investigar e a solicitar esclarecimentos às autoridades cubanas e estamos em contacto com a Efe ", disse Nabila Massrali, porta-voz do alto representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, em declarações à agência de notícias espanhola Efe.

"A confirmar-se isso, significaria uma grave violação da liberdade de expressão", alertou Massrali.

Também este domingo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIP) condenou a retirada por Cuba das credenciais de imprensa da equipa da agência Efe em Havana e considerou que esta medida "é um atentado inaceitável à liberdade de informação".

"Exigimos que o Governo cubano devolva as credenciais de imprensa e permita que todos os jornalistas trabalhem livremente", afirmou o secretário-geral da FIP, Anthony Bellanger, em declarações à Efe.

A decisão de retirar as credenciais de imprensa à equipa da Efe em Havana ocorre num momento delicado em Cuba, com uma marcha cívica convocada pela oposição para a próxima segunda-feira, a fim de exigir uma mudança política na ilha e a libertação dos presos políticos, manifestação que foi proibida pelas autoridades cubanas que acusam os organizadores de serem pagos pelos Estados Unidos para tentar derrubar o regime.

Na sexta-feira, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse que os seus apoiantes estão "prontos para defender a revolução", face à manifestação planeada pela oposição para segunda-feira, para exigir a libertação dos prisioneiros políticos.

Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba enfrenta "uma estratégia do império [Estados Unidos] para tentar destruir a revolução", mas assegurou que o país está preparado para a defender.

Também na sexta-feira, a administração norte-americana exortou o Governo cubano a permitir a marcha cívica e a evitar o uso de violência, ameaçando com novas sanções caso haja repressão sobre os manifestantes.

Na quinta-feira, Yunior Garcia, um dramaturgo de 39 anos, principal organizador da manifestação de 15 de novembro, anunciou a intenção de marchar sozinho no domingo numa avenida em Havana, em vez de na segunda-feira, como previsto no apelo à manifestação, para evitar qualquer violência.

Garcia denunciou ter sido ameaçado pela polícia com a prisão se levasse a cabo o projeto.

Os promotores da manifestação mantiveram no entanto o apelo para a realização do evento, na segunda-feira.

O apelo para participar no protesto ocorre num cenário de profunda crise económica, quatro meses após as históricas manifestações antigovernamentais de 11 de julho, quando milhares de cubanos saíram às ruas gritando "Liberdade" ou "Estamos com fome".

Essas manifestações resultaram numa morte, dezenas de feridos e na detenção de 1175 pessoas, 612 das quais continuam presas, de acordo com a organização não-governamental (ONG) de direitos humanos Cubalex.

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