Torra nas mãos do Supremo: tribunal decide hoje se inabilita o presidente da Catalunha

Se ratificar a decisão, Torra terá de deixar a presidência da Generalitat da Catalunha de imediato e a região sofrerá uma nova crise política.

Quim Torra pode ser obrigado a abandonar a presidência da Generalitat da Catalunha já esta quinta-feira. O dirigente foi inabilitado para o exercício de qualquer cargo público em janeiro mas apresentou recurso ao Supremo Tribunal, que agora vai decidir se mantém ou não a sentença.

Em causa está um delito de desobediência que envolve os laços amarelos, símbolos de apoio aos políticos catalães presos pelo processo independentista. Torra recusou retirar os laços dos edifícios públicos no período de eleições, como foi exigido pela Junta Eleitoral, e foi condenado a um ano e meio de inabilitação e a 30. mil euros de multa pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha.

Quim Torra recorreu e a decisão ficou nas mãos do Supremo. Se ratificar agora a sentença, o político terá de abandonar a presidência da Catalunha de imediato.

Esta quarta-feira, no Parlamento catalão, Torra voltou a defender o seu mandato e aproveitou para atacar o Governo espanhol que acusou de estar "instalado na vingança".

"Sim, é um tribunal, mas é um tribunal com um Estado inteiro atrás, com partidos que quiseram que isto acontecesse. O meu compromisso é e será sempre servir o meu país até às últimas consequências e até ao último minuto da minha presidência", disse o presidente da Generalitat da Catalunha. O seu mandato, assegurou, está marcado por um Governo que quer "pôr e tirar presidentes da Catalunha".

Crise política

A decisão do Supremo pode deixar a Catalunha à beira de uma crise política. Torra recusou convocar eleições e, se for inabilitado, o vice-presidente Pere Aragonés assumirá o Governo de maneira provisional e o Parlamento tem dez dias para investir outro presidente. Se nenhum partido apresentar um candidato, o Parlamento dissolve-se automaticamente e as eleições têm que se realizar no prazo de 60 dias.

Um cenário que, combinado com a pandemia do coronavírus, ninguém deseja e já provocou tensões entre os sócios de Governo.

O Esquerda Republicana (ERC), sócio de Torra no Executivo, pediu abertamente ao ainda presidente que abandone os "cálculos eleitoralistas" e pense no melhor para região. "Temos que dar uma resposta. Não fazer nada é uma irresponsabilidade. Está nas nossas mãos evitar uma instabilidade que as pessoas não desejam", disse Sergi Sabria, líder parlamentar do ERC no Parlamento esta quarta-feira.

A resposta de Torra foi contundente: "As pessoas não querem eleições, querem soluções", disse, perante a pressão da oposição e dos seus próprios sócios para marcar a data das eleições antes da sua provável inabilitação e evitar assim outro caos político para a Catalunha.

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