Treinos com armas e listas de mantimentos. Ucranianos preparam-se para guerra

Depois de a Ucrânia ter dado conta, esta sexta-feira, de novos bombardeamentos na zona leste do país, a população prepara-se para a guerra. Ucranianos que viveram em Portugal garantem que o povo não deixará a sua terra nas mãos da Rússia.

Ivan Palka tem 33 anos. É ucraniano, mas está imigrado em Portugal, trabalha numa empresa de carpetes, em Lisboa. Tinha ido visitar a família a casa, numa cidade junto à fronteira da Ucrânia, quando a tensão com a Rússia começou a subir.

"Agora ficou um bocado complicado, com este terror todo. Estou aqui, por enquanto", desabafa Ivan, em declarações à TSF. Não sabe se há de ficar na Ucrânia ou regressar para Portugal. "Se a Rússia vai atacar, eu tenho de pensar também no que faço com os meus pais. Acho que tenho de levar a minha família comigo para um sítio mais seguro."

Para Tatiana Diachuk essa é uma hipótese que já não se coloca. Contabilista, de 40 anos, viveu em Portugal durante algum tempo, mas a difícil vida de imigrante obrigou-a a regressar à Ucrânia. A guerra é, na sua visão, quase uma certeza.

"A gente está preparada. Não há gente a querer fugir. Ninguém quer deixar as suas casas, a sua terra", garante à TSF.

A preparação para o confronto já começou. As próprias autoridades ucranianas estão a fazer recomendações à população, para o caso de haver uma invasão russa. "Estão a entregar listas com o que se deve ter em casa, o que se deve fazer, o local onde se pode encontrar a família. As câmaras municipais também já deram indicações [do que fazer] se ficarmos sem rede de telemóvel nem internet", conta Ivan.

O imigrante ucraniano em Portugal relata que as pessoas estão "a juntar-se". "Vão às tropas, estão a estudar e aprender como montar armas. As pessoas querem proteger-se."

Ivan gostaria que a diplomacia fosse o caminho para a solução do conflito com a Rússia, mas assegura que, se for preciso, vai combater.

"Eu não queria ir [para a guerra]. Não queria ir. Mas se a minha família e os meus amigos precisarem da minha ajuda, eu vou", admite, em esforço.

Já Tatiana coloca as esperanças no apoio militar internacional. "Esperamos a ajuda de outros países. Nós não temos assim tantas armas para ficar sozinhos contra um país grande como a Rússia", sustenta.

O certo é que a ameaça parece cada vez mais real, para quem vive num território às portas de Putin. Esta sexta-feira, o exército ucraniano e os separatistas pró-russos acusaram-se mutuamente de novos bombardeamentos no leste do país, que vive em sobressalto já desde 2014. Horas depois, os separatistas anunciaram a retirada de civis - mulheres, crianças e idosos - para a Rússia, perante o agravamento das tensões.

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