Três crianças mortas por míssil no sul da Líbia

Um segundo projétil atingiu uma habitação nas proximidades da cidade, mas não fez vítimas.

Três crianças morreram esta terça-feira na sequência da queda de um míssil perto de uma escola no sul de Tripoli, capital líbia, apesar de um cessar-fogo em vigor desde 12 de janeiro, indicou o ministério da Saúde.

Duas crianças, com 10 e 11 anos, morreram no local onde caiu o míssil e uma terceira, com nove anos, não resistiu aos ferimentos após ser transportada para o hospital, segundo o porta-voz do ministério, Amin al-Hachimi, citado pela agência noticiosa AFP.

De acordo com jornalistas da AFP, o projétil caiu a meio de uma rua junto à escola no bairro de al-Hadhba al-Badri, a dez quilómetros do centro da cidade. Um segundo míssil atingiu uma habitação das proximidades, mas sem fazer vítimas, segundo as mesmas fontes.

As forças leais ao Governo de Acordo Nacional (GNA), reconhecido pela ONU e instalado em Tripoli, acusaram as forças do marechal Khalifa Haftar, o homem forte do leste líbio, de envolvimento no ataque.

As forças pró-Haftar desencadearam em abril uma ofensiva em direção a Tripoli. Segundo a ONU, os combates provocaram já pelo menos 287 mortos e 369 feridos entre a população civil.

Na manhã desta terça-feira, as forças que apoiam o GNA anunciaram ter abatido um "drone [aparelho aéreo não tripulado] dos Emirados" e que apoiava a ofensiva de Haftar no oeste do país.

A missão das Nações Unidas no Líbano (Manul) lamentou no domingo o prosseguimento das "flagrantes violações" ao embargo de armas à Líbia, objeto de uma resolução em 2011, apesar dos compromissos de diversos países envolvidos no país no decurso da recente conferência internacional de Berlim.

As forças do GNA indicaram na sua página Facebook que a "defesa antiaérea" abateu o drone quando o aparelho sobrevoava uma zona sob o seu controlo a leste de Masrata, 200 quilómetros a leste de Tripoli. Divulgaram ainda imagens com fragmentos do drone identificado pelos peritos como um Wing Loong, de fabrico chinês.

De acordo com analistas, o marechal Haftar procurou obter drones Wing Loong junto do seu principal aliado, os Emirados Árabes Unidos. Desde o início da sua ofensiva contra Tripoli, as forças de Haftar garantiram uma vantagem aérea devido a estes drones e aos seus tiros de precisão.

Perante esta ingerência, o GNA optou por contactar Ancara, que apoia abertamente as suas forças militares, para se equipar com drones turcos menos sofisticados do tipo Bayraktar, com alguns já abatidos pelas forças rivais.

Um cessar-fogo entrou em vigor em 12 de janeiro por iniciativa da Turquia e da Rússia, que apoia Haftar, mas os dois campos acusam-se mutuamente de violações. No domingo, foram referidos combates em Abu Grein, 130 quilómetros a oeste de Sirte, uma cidade que em 6 de janeiro caiu para as forças pró-Haftar, e que tentam agora avançar em direção a Misrata, de onde provêm a maioria das forças do GNA.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de