"Trump atirou dinamite para um barril de pólvora." O mundo de olhos postos no Irão

Vários países já reagiram à morte do general iraniano Qassem Soleimani, ordenada por Donald Trump.

"Trump acabou de atirar dinamite para um barril de pólvora." Assim descreve Joe Biden o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, num ataque aéreo perpetrado pelos Estados Unidos em Bagdad, Iraque.

Numa mensagem publicada no Twitter, o antigo vice-presidente de Barack Obama defende que o presidente dos Estados Unidos deve ao povo norte-americano uma explicação sobre a estratégia que pretende adotar e tem dizer como pretende manter a segurança os militares deslocados.

Entretanto, o vice-presidente do Parlamento do Iraque já anunciou a realização de uma sessão de emergência no parlamento no sábado para debater o ataque aéreo dos Estados Unidos

Hassan al-Kaabi destacou estar "na hora de acabar com a imprudência e a ignorância dos EUA", acrescentando que a sessão de sábado será dedicada à toma de "decisões para pôr fim à presença dos EUA no Iraque".

Questionado pela TSF, o Ministério da Defesa português diz que está acompanhar atentamente os desenvolvimentos no país. Confirma ainda que "os militares portugueses que estão na base militar de Besmayah onde estiveram há duas semanas o Ministro da Defesa e o primeiro-ministro estão bem e a fazer o seu trabalho".

Um mundo mais perigoso

A Rússia, a França, o Iraque, a China a Alemanha e a Síria alertaram para as consequências do num ataque norte-americano considerado perigoso, antecipando um aumento das tensões na região.

"O assassínio de Soleimani (...) é um passo arriscado que levará ao aumento das tensões na região", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, citado pelas agências RIA Novosti e TASS. "Soleimani serviu fielmente os interesses do Irão. Oferecemos as nossas sinceras condolências ao povo iraniano", acrescentou o Ministério.

A França pediu "estabilidade" no Médio Oriente, após a morte do general, através da secretária de Estado para Assuntos Europeu, Amélie de Montchalin. "Estamos a acordar num mundo mais perigoso. A escalada militar é sempre perigosa", disse Amélie de Montchalin à rádio RTL.

"Quando essas operações ocorrem, podemos ver claramente que a escalada está em andamento, quando queremos estabilidade e um decréscimo (da escalada) acima de tudo", acrescentou a secretária de Estado francesa.

Por seu lado, a China mostrou "preocupação" e pediu "calma" depois da morte do general Qassem Soleimani. "Pedimos a todas as partes envolvidas, especialmente aos Estados Unidos, que mantenham a calma e contenção para evitar nova escalada da tensão", disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, aos jornalistas.

"A China há muito tempo que se opõe ao uso da força nas relações internacionais", disse Geng Shuang, pedindo "respeito" pela soberania e integridade territorial do Iraque.

Na mesma linha, a chanceler alemã Angela Merkel apela à calma, recomendando "prudência" e "contenção para evitar uma "perigosa escalada de violência".

Por sua vez, o Governo sírio denunciou a "covarde agressão norte-americana", considerando que "apenas reforçará a determinação de seguir o exemplo desses líderes da resistência", sublinhou uma fonte do ministério dos Negócios Estrangeiros em Damasco.

E o chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, um grande aliado do Irão, prometeu "uma justa punição" aos "assassinos criminosos" responsáveis pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

Primeiro-ministro israelita interrompe visita de Estado

Benjamin Netanyahu, interrompeu a sua viagem oficial à Grécia, onde chegou esta quinta-feira, para regressar a Israel após o anúncio da morte de Qassem Soleimani.

Num comentário à ação militar dos EUA, que vitimou o general iraniano, o líder israelita defendeu que os "Estados Unidos tinham o direito de se defenderem", felicitando o Presidente norte-americano, Donald Trump.

"Agiu com rapidez, força e sem hesitação", adiantou o chefe do governo israelita em funções. "Israel está com os Estados Unidos na sua luta pela paz, segurança e no seu direito à autodefesa", acrescentou.

O exército israelita já tinha ordenado o encerramento de uma estação de esqui no Monte Hérmon, nas colinas de Golã, controlada por Israel.

"Soleimani não será esquecido", afirma Bashar Al-Assad

O presidente da Síria também abordou a morte do general iraniano, deixando elogios a Soleimani.

O povo sírio "não esquecerá que [o general Soleimani] ficou do lado do exército árabe sírio", escreveu Bashar Al-Assad numa carta de condolências enviada ao líder supremo do Irão, Ali Khamenei.

"A memória do mártir Soleimani permanecerá imortal na consciência do povo sírio", concluiu Assad.

Já o primeiro-ministro demissionário do Iraque, Adel Abdelmahdi, condenou o ataque, afirmando que a realização de "operações de ajuste de contas contra figuras da liderança iraquiana em solo iraquiano são uma violação flagrante da soberania iraquiana e um ataque à dignidade do país".

O primeiro-ministro demissionário disse também que esta ação representa "uma escalada perigosa que desencadeia uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo".

Abdelmahdi denunciou que o ataque viola as condições e o papel das forças americanas no Iraque, lembrando que a sua tarefa é treinar tropas iraquianas e lutar contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) sob a supervisão e com a aprovação do governo iraquiano.

O primeiro-ministro, que apresentou a sua renúncia no final de novembro no contexto da crise que está abalar o Iraque, também apresentou condolências pela morte de Al Mohandes e Soleiman e Soleimani, a quem descreveu como "grandes símbolos da vitória contra o EI".

A Guarda Revolucionária confirmou a morte do general Qassem Soleimani, na sequência de um ataque aéreo, na manhã de hoje, contra o aeroporto de Bagdad, que também visou o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi].

O Presidente dos Estados Unidos ordenou a morte do comandante da força de elite iraniana Al-Quds, general Qassem Soleimani, anunciou o Pentágono num comunicado.

Na nota, o Pentágono disse que Soleimani estava "ativamente a desenvolver planos para atacar diplomatas e membros de serviço norte-americanos no Iraque e em toda a região".

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, prometeu hoje vingar a morte do general iraniano Qassem Soleimani e declarou três dias de luto nacional.

As cerimónias fúnebres do general vão ser realizadas no Irão. A agência estatal indica que o corpo de Qassem Soleimani chegará a Teerão nas próximas horas.

Notícia atualizada às 14h10

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