Trump mostra-se disponível para eventual reunião com Nicolás Maduro

Segundo a Axios, durante a entrevista, Trump "deu a entender que não confiava muito em Guaidó".

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se aberto a uma eventual reunião com seu homólogo da Venezuela, Nicolás Maduro, e minimizou o peso do opositor venezuelano Juan Guaidó, numa entrevista publicada no domingo.

A Venezuela enfrenta, desde 23 de janeiro de 2019, uma luta pelo poder entre Maduro e Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional que se autoproclamou Presidente interino na tentativa de derrubar Maduro no início do seu segundo mandato, após eleições boicotadas pela oposição e denunciadas pela comunidade internacional como fraudulentas.

Cerca de sessenta países, liderados pelos Estados Unidos, reconheceram Guaidó, mas a China e a Rússia apoiaram Maduro, cujo regime está sujeito a sanções impostas por Washington.

Agora, numa entrevista ao site de notícias Axios, Trump manifestou-se aberto a uma reunião.

"Talvez eu pudesse pensar sobre isso (...), Maduro gostaria que nos encontrássemos. E nunca sou contra as reuniões - você sabe, raramente me oponho às reuniões", disse o Presidente norte-americano à Axios.

"Eu digo sempre que não perdemos muito em encontrar-nos. Mas, por enquanto, recusei", referiu ainda.

Nicolás Maduro foi indiciado em março por "narcoterrorismo" pelo sistema de justiça americano, com uma recompensa de 15 milhões de dólares pela sua prisão.

Ao mesmo tempo, no final de março, perante o fracasso da sua estratégia de expulsar Maduro do poder, os Estados Unidos propuseram uma nova "estrutura para uma transição democrática" na Venezuela, exortando Guaidó a afastar-se e esperar por eleições presidenciais "livres e justas". Uma proposta imediatamente rejeitada por Caracas.

No início de maio, o Governo venezuelano declarou que impediu uma "invasão" - em duas localidades no norte da Venezuela, Macuto e Chuao - destinada a realizar um "golpe" de Estado contra Maduro e anunciou a prisão de 52 pessoas, incluindo dois ex-soldados norte-americanos.

Caracas acusou Guaidó de ter organizado a operação com um terceiro ex-soldado norte-americano, Jordan Goudreau, e um venezuelano residente de Miami, Juan José Rendon. Donald Trump garantiu que os Estados Unidos não estavam por trás da operação abortada.

Segundo a Axios, durante a entrevista, realizada na sexta-feira, Trump "deu a entender que não confiava muito em Guaidó". Sobre o reconhecimento de Guaidó como Presidente interino, Trump afirmou: "Eu concordei com isso (...) não acho que tivesse tido um grande significado, de uma forma ou de outra".

A publicação desta entrevista ocorre quando a Casa Branca enfrenta revelações explosivas de um livro do ex-conselheiro de Segurança Sacional de Donald Trump, John Bolton.

De acordo com trechos publicados por Axios, Bolton escreve que Trump "pensou que Guaidó era "fraco" ao contrário de Maduro, que era "forte", qualificando Guaidó como "o Beto O'Rourke da Venezuela", referência a um ex-candidato à indicação democrata que abandonou cedo a disputa pela Casa Branca.

Na sua entrevista ao Axios, Trump chama Bolton de "fraturado", diz que poderia ser "o ser humano mais estúpido da Terra" com o seu apoio à guerra no Iraque.

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