Trump quer adiar publicação de livro de antigo conselheiro de segurança

A administração da Casa Branca processou o antigo conselheiro John Bolton, falando de tentativa de publicação de informações secretas.

O Departamento de Justiça norte-americano processou na terça-feira o antigo conselheiro de segurança nacional John Bolton, pedindo o adiamento da publicação de um livro que, segundo a Casa Branca, contém informações secretas.

A ação cível, que deu entrada no tribunal federal de Washington, segue-se a avisos do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que Bolton podia enfrentar um "problema criminal" se não suspendesse os planos de publicação do livro, prevista para a próxima semana.

A queixa é o último incidente numa relação conflituosa entre Trump e Bolton, forçado a abandonar a Casa Branca em setembro de 2019, após repetidos diferendos sobre questões de segurança nacional.

A editora Simon & Schuster defendeu que o processo é "o último de uma longa série de esforços do Governo para anular a publicação de um livro que considera pouco lisonjeiro para o Presidente".

Numa declaração na terça-feira, a editora garantiu que Bolton colaborou com funcionários da Casa Branca para responder às suas preocupações, afirmando que "apoiava plenamente o direito à Primeira Emenda", que garante a liberdade de expressão.

O advogado do ex-conselheiro, Chuck Cooper, disse que Bolton trabalhou durante meses com especialistas para evitar a publicação de informações consideradas secretas, acusando a Casa Branca de utilizar a segurança nacional como pretexto para censurar o livro.

O advogado tinha dito anteriormente que Bolton passou quase quatro meses a rever o livro de 500 páginas com a especialista em segurança nacional da Casa Branca, Ellen Knight.

Knight terminou a revisão no final de abril e concluiu que o manuscrito não continha informações confidenciais. No mês seguinte, um responsável do Conselho Nacional de Segurança Michael Ellis iniciou uma revisão adicional.

Na ação judicial, o Departamento de Justiça alegou que o ex-conselheiro não concluiu a revisão de pré-publicação para garantir que o manuscrito não contém segredos, e pediu ao tribunal federal que "incite ou solicite" o adiamento da publicação do livro, e que "recupere e elimine" os exemplares existentes.

O Departamento de Justiça argumentou que o cargo de Bolton lhe permitiu aceder a algumas das informações "mais sensíveis do Governo dos EUA" e que o manuscrito estava "cheio de informações secretas, que se propunha divulgar ao mundo".

O livro de Bolton, intitulado "The Room Where It Happened: A White House Memoir" ("A sala onde tudo aconteceu - um livro de memórias da Casa Branca"), devia ter sido publicado em março. A data de lançamento foi adiada duas vezes e está agora prevista para a próxima semana.

De acordo com a editora Simon & Schuster, que divulgou em 12 de junho um excerto da obra, John Bolton evoca o "caos na Casa Branca", "o processo de tomada de decisão incoerente e desarticulado do Presidente e o seu comportamento junto dos aliados, tratados como inimigos, da China à Rússia, passando pela Ucrânia, Coreia do Norte, Irão, Reino Unido, França e Alemanha".

Bolton trata em profundidade o chamado caso ucraniano, em que Trump pediu ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para investigar a família do rival e ex-vice-Presidente Joe Biden, o que levou a um processo de destituição no Congresso, de que a maioria republicana no Senado acabou por o absolver, em fevereiro último.

Na terça-feira, a União Americana das Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) afirmou que o processo está "condenado ao fracasso" e lembrou que o Supremo Tribunal rejeitou há meio século os esforços do Governo do antigo Presidente norte-americano Richard Nixon para bloquear o acesso a documentos do Pentágono, e que as restrições prévias à publicação são inconstitucionais.

"Como de costume, as ameaças do governo não têm nada a ver com a salvaguarda da segurança nacional, e tudo a ver com evitar escândalos e constrangimentos", defendeu a organização.

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