Turquia admite "quase acordo" em quatro questões nas negociações russas e ucranianas

O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, que se deslocou a Moscovo e Kiev na semana passada, não precisou quais são os pontos em que há "quase um acordo".

O chefe da diplomacia turca, Mevlut Çavusoglu, manifestou-se, este domingo, esperançado na possibilidade de um cessar-fogo na Ucrânia, ao admitir que as duas partes "quase concordam" em quatro das seis questões em discussão.

"Há convergência nas posições dos dois lados sobre questões importantes e críticas. Vemos, em particular, que eles quase concordam nos primeiros quatro pontos. Algumas questões precisam de ser decididas ao nível da liderança", disse Çavusoglu, numa entrevista ao jornal turco Hurriyet, citada pela agência espanhola EFE.

Numa entrevista recente ao mesmo jornal, Ibrahim Kalin, porta-voz do Presidente da Turquia, disse que as questões em discussão foram agrupadas em seis pontos, o primeiro dos quais diz respeito à neutralidade da Ucrânia, que impediria a adesão do país à NATO.

As restantes questões, pela ordem referida por Kalin, são o desarmamento e as garantias mútuas de segurança, o processo a que a Rússia chama "desnazificação", a remoção de obstáculos à utilização generalizada do russo na Ucrânia, o estatuto do Donbass e o estatuto da Crimeia.

Çavusoglu disse que as duas delegações às conversações já percorreram um longo caminho, mas que a paz exigirá uma reunião entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Volodymyr Zelensky.

No entanto, admitiu que primeiro é necessário um cessar-fogo, o que acredita ser possível.

"Se as partes não se desviarem das suas posições atuais, podemos dizer que temos esperança de um cessar-fogo. Existem canais abertos entre os líderes. Isto já é conhecido", disse ele.

"Se houver paz, se houver um acordo, eles [Putin e Zelensky] reunir-se-ão definitivamente. Eles não excluem esta possibilidade. Eles não têm uma atitude negativa em relação ao encontro", acrescentou.

Desde o início da crise, a Turquia, que faz parte da NATO, tem tentado mediar entre os dois países, uma vez que tem importantes laços diplomáticos, políticos e económicos com Kiev e Moscovo.

Ancara acolheu um encontro entre os chefes da diplomacia da Rússia, Serguei Lavrov, e da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e ofereceu-se para organizar também uma cimeira entre Putin e Zelensky.

"Em última análise, o que importa é que eles se encontrem. Quer aconteça na Turquia ou noutro lugar qualquer", disse Çavusoglu ao jornal turco.

A primeira ronda de negociações entre Kiev e Moscovo realizou-se na Bielorrússia, a 28 de fevereiro, quatro dias após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia.

As rondas seguintes decorreram também na Bielorrússia, a 3 e 7 de março, mas, desde então, as negociações têm decorrido por videoconferência.

A guerra na Ucrânia, que entrou, este domingo, no 25.º dia, provocou um número ainda por determinar de baixas civis e militares, assim como mais de 3,3 milhões de refugiados.

A ONU considera que se trata da pior crise do género na Europa, desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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