Twitter acusa partido de Boris Johnson de "enganar" eleitores

O Partido Conservador alterou repentinamente o nome de uma das suas contas do Twitter, de forma a fazer verificação das informações durante o debate que opôs Boris Johnson a Jeremy Corbyn.

O Twitter acusou esta quarta-feira o Partido Conservador britânico de "enganar" os eleitores, ao ter apresentado uma das suas contas nesta rede social como perfil de verificação de informações durante um debate televisivo, na terça-feira à noite.

Enquanto o primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, e o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, se confrontavam no seu primeiro debate televisivo, na terça-feira à noite, para as eleições legislativas de dezembro, a conta de Twitter do serviço de imprensa dos conservadores mudou repentinamente de nome de "CCHQPress" para "FactcheckUK".

Perante esta situação, o Twitter avisou hoje os conservadores britânicos de que tomará medidas se as contas do partido voltarem a tentar "enganar" os eleitores, fazendo-se passar por um espaço de verificação de informações ("fact checking"), durante a campanha eleitoral.

A conta que alterou o nome durante o debate, e que voltou ao seu nome inicial logo a seguir ao programa televisivo, está carimbada com um crachá azul, símbolo de certificação que serve como garantia de confiança nas informações fornecidas.

"O Twitter comprometeu-se a garantir um debate saudável durante a campanha eleitoral do Reino Unido. Temos regras em vigor a nível internacional que proíbem comportamentos enganosos, incluindo os que envolvem contas certificadas", disse hoje um porta-voz do Twitter, recordando que a empresa deixou de aceitar propaganda eleitoral em todo o mundo.

"Qualquer outra tentativa de enganar as pessoas, alterando as informações certificadas do perfil, como foi feito durante o debate eleitoral, resultará em sanções", disse o mesmo porta-voz do Twitter.

Dominic Raab, secretário de Negócios Estrangeiros do Governo de Boris Johnson e dirigente conservador, já veio defender o seu partido dizendo que "ninguém quer saber das alterações que se fazem nas redes sociais".

Mas a explicação não convenceu os adversários políticos, que acusam os conservadores de "jogo sujo", durante a campanha para as eleições de 12 de dezembro.

Tom Brake, porta-voz do Partido Democrata-liberal, disse que se tratou de uma manobra "tirada diretamente dos livros de instruções de Donald Trump ou Vladimir Putin", referindo-se aos presidentes dos EUA e Rússia, respetivamente.

O deputado trabalhista David Lamy disse que o caso ilustra bem o "desprezo pela verdade" do Partido Conservador e do Governo.

O diretor-geral da empresa Full Fact, uma agência de verificação de factos, alertou hoje para a alteração e suas consequências na credibilidade dos utilizadores e imputou as responsabilidades ao Partido Conservador, ilibando o Twitter de culpas neste caso.

Ainda antes deste caso, os arcebispos de York e de Canterbury, figuras de relevo na sociedade britânica, num comunicado conjunto, pediram aos candidatos para debaterem "com respeito, sem recorrer a ataques pessoais" e para se comportarem com "responsabilidade, sobretudo nas redes sociais".

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