Ucrânia nega avanços russos na cidade de Vougledar

"Unidades estabeleceram-se no leste de Vougledar e os trabalhos continuam nas imediações", garante o responsável da Rússia na região de Donetsk.

A Ucrânia contestou esta segunda-feira informações avançadas por responsáveis russos e negou que as tropas russas estão a avançar em direção da cidade de Vougledar, no leste da Ucrânia, onde os combates se intensificaram recentemente.

"As nossas unidades continuam a avançar (...). Unidades estabeleceram-se no leste de Vougledar e os trabalhos continuam nas imediações", afirmou na manhã desta segunda-feira o responsável da Rússia na região de Donetsk, Denis Pushilin, citado por agências russas.

Um porta-voz do exército ucraniano nesta região, Yevguen Ierine, afirmou, porém, à agência noticiosa France-Presse (AFP) que os ataques russos na área falharam.

Segundo a mesma fonte, as forças ucranianas conseguiram repelir os russos com "armas de fogo e artilharia".

"O inimigo não registou sucesso e recuou. Não perdemos as nossas posições", sustentou Yevguen Ierine.

Por sua vez, Denis Pushilin afirmou que o exército ucraniano entrincheirou-se numa área que tem "um grande número de instalações industriais e edifícios altos", o que facilita as operações defensivas.

"Presumimos que o inimigo resistirá", prosseguiu o representante.

O Ministério da Defesa russo disse apenas vagamente que as suas tropas "tomaram posições mais vantajosas" nos arredores de Vougledar ao infligir perdas às forças ucranianas.

Vougledar, uma cidade mineira que tinha 15.000 habitantes antes da ofensiva militar russa, está localizada a 150 quilómetros a sul de Bakhmout, província de Donetsk, uma das zonas mais intensas da guerra na Ucrânia nos últimos meses, com um elevado número de baixas de ambas as partes.

Denis Pushilin disse que "combates ferozes" prosseguiam perto de Bakhmout, mas era "muito cedo" para falar sobre um cerco da cidade pelas tropas russas.

"A luta está em andamento, estamos a manter as linhas de defesa infligindo-lhes perdas", disse à AFP outro porta-voz militar ucraniano, Sergey Tcherevaty.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse no domingo que Bakhmut, Vougledar e outras áreas da região de Donetsk estavam sob "constantes ataques russos".

O Kremlin (Presidência russa) prometeu conquistar toda a região de Donetsk depois de reivindicar a sua anexação em setembro, juntamente com outras três regiões ucranianas: Lugansk no leste, Kherson e Zaporijia, no sul.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas - 6,5 milhões de deslocados internos e quase oito milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 7.110 civis mortos e 11.547 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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