UE acusa países estrangeiros de "oportunismo" no caso dos protestos nos EUA

A União Europeia considera que "atores estrangeiros" como Rússia ou China estão "a aproveitar-se" do caso de violência policial que levou à morte do afro-americano George Floyd, nos EUA, para propagar desinformação.

"Os relatórios preliminares sugerem que alguns atores estrangeiros já estão a tentar instrumentalizar esta situação para os seus próprios fins", observa, numa análise publicada esta quinta-feira, o grupo de trabalho do Serviço Europeu de Ação Externa da UE contra as 'fake news'.

Segundo o grupo de trabalho East StratCom, criado em 2015 para combater a desinformação russa, tanto a Rússia como a China estão a "inundar meios de comunicação social [pró-regime] com conteúdos relativos aos tumultos nos Estados Unidos, aproveitando-se de 'hashtags' ligados a George Floyd para espalhar mensagens de divisão".

"Também é de salientar a diferença de cobertura para o público interno ou externo", destaca esta entidade, precisando que, "enquanto as reportagens dos meios de comunicação social russos apoiados pelo Estado em solo americano parecem simpatizar com os manifestantes, os media estatais no país pintam um quadro muito diferente".

O East StratCom diz ser "provável" que estes meios de comunicação social pró-Kremlin se foquem neste acontecimento "para os seus próprios objetivos, possivelmente como parte de uma campanha para influenciar as próximas eleições nos Estados Unidos, visando as comunidades negras como alvo particular".

O grupo de trabalho da UE adianta que, não só a Rússia, mas também a China e o Irão estão a "utilizar os meios de comunicação social apoiados pelo Estado para promover as suas próprias narrativas sobre os Estados Unidos", denunciando a "exploração da crise e a negação de responsabilidade", bem como o "oportunismo da desinformação".

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos nove mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades, incluindo Washington e Nova Iorque, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, já ameaçou mobilizar os militares para pôr fim aos distúrbios nas ruas.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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