UE admite "medidas sobre o petróleo russo"

Desde o início da Guerra, "contribuintes europeus pagaram 35 mil milhões a Putin".

O chefe da diplomacia europeia alertou, esta quarta-feira, para os gastos europeus com a energia proveniente da Rússia, defendendo que a União Europeia tem de reduzir essa dependência.

A medida pode passar por avançar com embargos ao petróleo, depois do que já foi realizado em relação ao gás, no pacote de sanções apresentado esta semana. Borrell admitiu que a medida ainda "é uma fatura muito pequena", representando um impacto anual inferior a 5000 milhões de euros. Quando a despesa com as importações de energia da Rússia, representam "1000 milhões de euros diários".

Borrell falava antes da declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a qual começou por lembrar que, há sete semanas, Bucha era um calmo e amistoso subúrbio dos arredores de Kiev, que contrasta com o cenário bárbaro encontrado com a retirada das tropas russas.

"Na semana passada, a própria Humanidade foi abatida em Bucha, morta a sangue frio, executada de mãos amarradas com uma bala na cabeça", afirmou a presidente da Comissão Europeia.

Considerando as mortes de Bucha como um ataque à Humanidade, a presidente da Comissão Europeia criticou a narrativa do Kremlin sobre a invasão russa da Ucrânia.

"Quando os militares de [Vladimir] Putin ocuparam o território da Ucrânia, chamaram-lhes libertação. Não, nós chamamos-lhes crimes de guerra, é esse o nome que lhe devemos dar", especificou.

Com esta ideia, Von der Leyen prometeu tudo fazer para que os autores e os cúmplices paguem pelos "crimes" que praticaram. "A União Europeia lançou uma equipa de investigação conjunta com a Ucrânia, para recolher evidência e testemunhos no terreno e vamos responsabilizar aqueles que são responsáveis pelos crimes de guerra", afirmou, defendendo que "os perpetradores devem pagar".

"Por isso, depois de Bucha, mais do que nunca, a União Europeia está com a Ucrânia", afirmou, a dois dias da visita que fará a Kiev. Uma das vertentes contidas na afirmação de apoio à Ucrânia é a de que Bruxelas vai continuar a impor sanções à economia que tem servido de suporte à máquina de guerra de Vladimir Putin.

"Já banimos o carvão, agora temos de olhar para o petróleo e para os lucros que a Rússia tem dos combustíveis fósseis", defendeu a presidente da Comissão, vincando que "o dinheiro dos contribuintes europeus não deve ir para a Rússia, de maneira nenhuma".

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que também discursou esta manhã em Estrasburgo. estabeleceu um paralelo entre aquilo que representa a dependência europeia da energia russa e a ajuda europeia à defesa dos ucranianos.

"Já demos à Ucrânia 1000 milhões de euros, que podem parecer muito. Mas, 1000 milhões de euros é o que pagamos a Putin, cada dia, pela energia que nos fornece. Desde que começou a guerra, já lhe demos 35 mil milhões de euros", afirmou Borrell, pedindo aos eurodeputados que "comparem" com o financiamento de parte da defesa ucraniana.

"Esta gigantesca diferença deve servir para assinala aquilo que o Conselho Europeu já nos ordenou: diminuir a dependência energética da [Rússia]", sublinhou.

Dando nota do resultado da mais recente cimeira europeia, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel reproduziu perante o parlamento uma ideia que prevalece entre os 27, para a redução da dependência da Rússia enquanto fornecedor de energia. "Devemos libertar-nos o mais rapidamente possível das energias fósseis da Rússia", fincou o presidente do Conselho Europeu, antecipando já aquilo vai defender perante os chefes de estado ou de governo na nota introdutória da próxima cimeira europeia.

"Penso que medidas sobre o petróleo e mesmo o gás serão também necessárias, mais cedo ou mais tarde", defendeu Michel, depois de também ter apelado aos militares russos para "desobedecerem" às ordens da chefias, oferecendo-lhe asilo na União Europeia.

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