UE denuncia intimidação nas eleições russas mas Kremlin elogia transparência

Também o Governo alemão demonstrou preocupação com a forma como decorreram as eleições na Rússia.

A União Europeia denunciou um "clima de intimidação" nas eleições russas e o Governo alemão pediu mesmo esclarecimentos sobre "irregularidades", mas o Kremlin descreveu o ato eleitoral como "transparente".

"O que vimos na corrida para estas eleições foi uma atmosfera de intimidação contra todas as vozes críticas independentes", disse Peter Stano, porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, durante uma conferência de imprensa, lembrando que as eleições legislativas russas decorreram "sem observação internacional credível".

Também o Governo alemão demonstrou preocupação com a forma como decorreram as eleições na Rússia - cujos resultados finais ainda não são conhecidos, mas cujas estimativas apontam para uma vitória folgada do partido Rússia Unida, que se encontra no poder - pedindo para que "tudo fique claro".

"Há acusações de observadores eleitorais e de elementos russos da oposição que falam de irregularidades massivas, que devem ser levadas a sério", disse o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, lamentando não ter havido observação internacional das eleições.

Contudo, o Kremlin já veio saudar a "transparência e probidade" das eleições legislativas.

"Para o Presidente (Vladimir Putin) o mais importante foi, naturalmente, que as eleições tenham sido concorridas e que tenham decorrido com transparência e probidade", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descrevendo como "positiva" a vitória com quase 50% dos votos do partido no poder.

Peskov acrescentou que o partido Rússia Unida tinha a tarefa de revalidar a sua liderança no Parlamento (Duma), onde os 450 lugares foram renovados, dizendo que esse objetivo foi "obviamente concretizado".

Com 95,15% dos votos apurados, o partido Rússia Unida, que está no poder, obteve 49,64% nas listas partidárias e 88,45% nos círculos eleitorais, o que lhe confere mais de 300 lugares na Duma (onde metade dos 450 mandatos foram escolhidos por listas partidárias e a outra por distritos eleitorais).

Com exceção do partido liberal Yabloko, a oposição ao Kremlin não pôde participar das eleições.

Na sua maioria, os candidatos da oposição não se puderam inscrever devido a vários obstáculos, desde alegações de extremismo até posse de bens no estrangeiro.

Além disso, houve alegações de fraude por parte dos comunistas, meios de comunicação independentes e organizações internacionais.

Múltiplas fotografias e vídeos veiculados nos 'media' e nas redes sociais apontam para irregularidades várias, como o preenchimento das urnas e o impedimento do trabalho dos observadores.

Até agora, o voto eletrónico em Moscovo, onde se registaram cerca de 2 milhões de eleitores, ainda não foi divulgado, enquanto nas outras seis regiões o resultado já é conhecido.

Os comunistas continuam a ser a segunda força na Duma - tendo até agora 19,20% dos votos, quatro pontos a mais do que em 2016 - seguidos pelo Partido Liberal Democrático (PLDR) do ultranacionalista Vladimir Zhirinovski (7,47%); os social-democratas Rússia Justa (7,42%) e o recém-criado partido Nova Gente (5,39%), um projeto que muitos olham como um projeto do Kremlin para dividir os votos de protesto.

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