UE pode alterar sanções caso afetem alimentos ou fertilizantes

O chefe da diplomacia da UE já alertou os ministros dos negócios estrangeiros dos países africanos que as sanções "não entravam as suas importações de trigo ou fertilizantes".

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, defendeu esta segunda-feira que as sanções contra a Rússia "não são responsáveis pelos elevados preços dos alimentos ou fertilizantes", mas que é possível alterá-las caso haja um "efeito indireto" sobre estes mercados.

De acordo com o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, há atores económicos que "estão a exagerar" na sua reação face às sanções.

"Podendo fazer algo que não está proibido, não o fazem por medo de ter problemas", afirmou Borrell na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em Santander, no norte de Espanha, segundo noticia a agência noticiosa espanhola Efe.

Josep Borrell acrescentou que já alertou os ministros dos negócios estrangeiros dos países africanos que as sanções da UE à Rússia, pela invasão à Ucrânia, "não entravam as suas importações de trigo ou fertilizantes".

"Se houver algum fenómeno que tenha impacto sobre essas exportações russas, é claro que o analisaremos e o eliminemos", acrescentou.

O alto representante europeu alertou para o que diz ser uma "narrativa russa" que tenta "apresentar ao mundo" que as sanções pela União Europeia são a razão para os elevados preços da energia ou dos alimentos, sublinhando que estas "excluem expressamente os alimentos e fertilizantes".

"Não podemos culpar as sanções, mas se tais coisas acontecerem -- que poderiam decorrer de efeitos indiretos --, vamos certamente monitorizá-las e avisar os operadores para que tal não aconteça", acrescentou.

Sobre as críticas contra as sanções, Borrell considerou que têm um efeito "não imediato", mas que a Rússia "vai ser afetada" em setores "mais críticos", como a tecnologia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de 5.100 civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar russa causou a fuga de mais de 16 milhões de pessoas, das quais mais de 5,9 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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