Bruxelas quadruplica apoio humanitário ao Afeganistão

Passam agora a ser 200 milhões de euros dedicados à ajuda humanitária para o Afeganistão.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou um aumento do apoio humanitário ao Afeganistão.

Na rede social Twitter, a mais alta representante da Comissão Europeia esclareceu que, nesta reunião do G7, nesta terça-feira, será aumentado de 50 milhões de euros para 200 milhões de euros a contribuição comunitária para "ajudar o povo afegão".

"Na videoconferência de hoje dos líderes do G7, vou anunciar um aumento da ajuda humanitária aos afegãos, dentro e em redor do país, do orçamento da UE, de mais de 50 milhões de euros para mais de 200 milhões de euros", escreveu Von der Leyen na sua conta oficial na rede social Twitter." Esta ajuda humanitária somar-se-á às contribuições dos Estados-membros para ajudar o povo do Afeganistão", esclareceu ainda.

Os líderes do G7 vão reunir-se esta terça-feira para "discussões urgentes" sobre o Afeganistão, onde os taliban recusaram que a operação internacional para retirar milhares de estrangeiros e colaboradores afegãos ultrapasse a "linha vermelha" de 31 de agosto.

A reunião, em formato virtual, foi convocada pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país preside atualmente ao grupo das economias mais desenvolvidas, o denominado G7.

Além do Reino Unido, integram o G7 Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália e Japão. A União Europeia, que tem o estatuto de 'oitavo membro' do fórum - sem direito a ser anfitrião ou organizador de reuniões -, estará representada na reunião virtual desta terça-feira pelos presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Von der Leyen.

A reunião realiza-se numa altura de maior tensão entre os taliban e as forças internacionais sobre o prazo para terminar a retirada de milhares de pessoas que se têm concentrado no aeroporto de Cabul desde a tomada de poder pelos rebeldes, a 15 de agosto.

Os EUA retiraram 37 mil pessoas do Afeganistão desde 14 de agosto, número que ascende a 42 mil desde o final de julho, enquanto o Reino Unido transportou 6600 desde a véspera da tomada de Cabul.

A braços com críticas à forma como conduziu o processo, o Presidente Joe Biden admitiu prolongar a operação para lá de 31 de agosto, a data que tinha fixado para terminar a retirada das tropas dos EUA, após uma guerra de 20 anos no Afeganistão.

O Reino Unido indicou pretender discutir a questão, até porque depende, como os outros países, da estrutura de segurança que as forças norte-americanos mantêm no aeroporto de Cabul, onde também há ameaças de atentados.

A questão não ficou sem uma resposta clara dos taliban, que definiram o prazo da saída das forças estrangeiras como uma "linha vermelha".

"Se os EUA ou o Reino Unido pedirem mais tempo para continuar as evacuações, a resposta é não. Ou haverá consequências", afirmou um dos porta-vozes dos talibãs, Shuail Shaheen, na véspera do G7.

Fontes do movimento rebelde adiantaram que, no mínimo, os talibãs não anunciarão o seu Governo enquanto houver um soldado dos EUA no país.

A uma semana do fim do prazo de 31 de agosto, o G7 deverá discutir uma posição comum para lidar com os taliban, tendo sido admitida uma imposição imediata de sanções, mas a situação em Cabul poderá condicionar eventuais medidas.

No terreno, milhares de afegãos mantêm a esperança de poderem fugir ao extremismo dos taliban, que se têm esforçado por dar uma imagem mais suave de si próprios, face às recordações da violência que caracterizou o seu primeiro governo (1996-2001).

* Atualizado às 10h55

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