"Mais antigo do que imaginávamos." Encontrado na Escócia artefacto raro da Pirâmide de Gizé

Abeer Eladany, arqueóloga egípcia, encontrou na Escócia um pedaço de História do seu país (e da Humanidade). O raro artefacto, que se encontrava numa caixa de charutos, é, segundo as análises, ainda mais antigo do que os datados da era da construção da pirâmide.

Um artefacto perdido da Grande Pirâmide de Gizé foi encontrado numa caixa de charuto na Universidade de Aberdeen, na Escócia. A descoberta foi feita casualmente, por uma curadora e investigadora universitária egípcia.

De acordo com o jornal The Guardian, a curadora egípcia Abeer Eladany estava a analisar itens da coleção asiática da universidade quando se deparou com uma caixa de charutos marcada com a antiga bandeira do Egito. O interior revelava várias lascas de madeira que a investigadora identificou como um fragmento de madeira da Grande Pirâmide, que está desaparecido há mais de um século. "As coleções da universidade são vastas - chegando a centenas de milhares de itens -, por isso procurá-las foi como encontrar uma agulha num palheiro. Não pude acreditar quando percebi o que estava dentro desta lata de charuto de aparência inócua", adiantou Abeer Eladany ao jornal The Guardian.

O fragmento de madeira faz parte de um trio de objetos descobertos pelo engenheiro Waynman Dixon dentro da Câmara das Rainhas da pirâmide, em 1872. Conhecidas como "relíquias de Dixon", duas delas - uma bola e um gancho - fazem parte do espólio do Museu Britânico. Alguns investigadores especularam que o pedaço de cedro perdido seria parte de um sistema de medição que poderia revelar pistas para a construção da pirâmide. Acredita-se que o fragmento foi legado à universidade por um amigo de Dixon, James Grant, mas nunca foi catalogado, e, apesar da vasta investigação, não foi possível localizar durante décadas.

A descoberta da relíquia também levanta novas questões, já que a datação por análise de isótopos de carbono mostrou que a madeira pode ter tido origem no período compreendido entre 3341 e 3094 A.C., 500 anos antes dos registos históricos da Grande Pirâmide, do reinado do Faraó Khufu (que será de 2580 -2560 A.C.).

"É ainda mais antigo do que imaginávamos. Isso pode ser porque a data está relacionada com a idade da madeira, talvez do centro de uma árvore de vida longa. Também pode ser devido à raridade das árvores no antigo Egito, o que significava que a madeira era escassa, valorizada e reciclada ou cuidada durante muitos anos." Ao jornal The Guardian, Abeer Eladany também comentou que "caberá agora aos estudiosos debater o seu uso e se foi deliberadamente depositado, como aconteceu mais tarde durante o Novo Império, quando os faraós tentaram enfatizar a continuidade com o passado enterrando antiguidades com eles".

O fragmento de cedro pertencia originalmente a um pedaço de madeira muito maior, que foi visto mais recentemente numa escavação de 1993, do interior da pirâmide, realizado por uma câmara robótica em túneis ocultos e agora inacessíveis. Eladany, surpreendida, admitiu: "Sou arqueóloga e trabalhei em escavações no Egito, mas nunca imaginei que seria aqui, no nordeste da Escócia, que encontraria algo tão importante para o patrimônio do meu próprio país. Pode ser apenas um pequeno fragmento de madeira, que agora está em vários pedaços, mas é extremamente significativo, visto que é um dos únicos três itens a serem recuperados de dentro da Grande Pirâmide."

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