UNESCO alerta para informação "drasticamente incompleta" sobre estado dos mares

O relatório "Estado do Oceano 2022", foi apresentado, esta sexta-feira, na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa.

A UNESCO alertou esta sexta-feira para a informação "drasticamente incompleta" sobre o estado dos oceanos, na apresentação de um relatório que na sua versão piloto carece de números que possam sustentar tomadas de decisão.

O "Estado do Oceano 2022", que foi apresentado esta sexta-feira na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas em Lisboa, poderá ser um "momento da verdade" para uma sociedade que "sabe o que se passa com os oceanos" perceber que "a descrição quantitativa está drasticamente incompleta", afirmou em conferência de imprensa o diretor do departamento de ciência oceânica daquela agência das Nações Unidas dedicada à ciência, educação e cultura, Henrik Enevoldsen.

Depois da edição piloto do relatório, o objetivo é ter "um relatório conciso curto, com periodicidade curta", em princípio anual - no dia dos oceanos, a 8 de junho -, para complementar outras avaliações, como os relatórios do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.

"Estamos aquém de um conhecimento abrangente, faltam indicadores credíveis comuns" para avaliar o progresso dos esforços na recuperação dos oceanos, afetados por alterações climáticas, poluição decorrente da atividade humana e perda de biodiversidade, entre outros problemas.

Os parâmetros escolhidos pela Comissão Oceânica Intergovernamental da UNESCO são os dez desafios definidos pela ONU para a sua década dos oceanos, que dura até 2030, e que incluem o combate à poluição marinha, adaptação das comunidades costeiras e proteção e recuperação de biodiversidade e ecossistemas.

Enevoldsen indicou que se pretende que aumentem os investimentos em infraestruturas e recursos humanos para monitorização e vigilância do estado dos oceanos para permitir "prever melhor" o que esperar no futuro, uma capacidade que por enquanto é muito limitada.

Outra das intenções é que os dados recolhidos "estimulem o debate político" e influenciem as decisões a nível global.

"Há uma necessidade urgente de uma descrição quantitativa do estado do oceano, com parâmetros estabelecidos e a capacidade de comunicar mudanças", aponta a UNESCO no relatório.

Enevoldsen apontou que "não há muitas melhorias" na degradação dos oceanos, ressalvou que há "muitas iniciativas que vão na direção certa", mas não é claro que consigam "acompanhar o ritmo" do que corre mal.

Uma das recomendações é que, através do reforço da monitorização e recolha de dados, se construa "uma base teórica para um planeamento e gestão sustentável do oceano, dentro e além de áreas de jurisdição nacional, focadas na economia oceânica, clima e biodiversidade".

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