União Europeia pede justiça e que não se repita o massacre de Srebrenica

Após a conquista de Srebrenica em 11 de julho de 1995, mais de 8.000 bósnios da religião muçulmana foram assassinados, entre 12 e 22 de julho.

Os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediram hoje justiça para o genocídio de Srebrenica, ocorridos 25 anos sobre o massacre, e pediram que não repita tal catástrofe.

"Honramos todas as vítimas, as suas famílias e todos os que ainda não têm confirmação sobre o destino dos seus entes queridos", disse Charles Michel através da rede social Twitter.

"Não descansaremos até que se faça justiça", afirmou.

Na mesma rede social, Ursula von der Leyen escreveu: "O mundo inteiro deu conta de que falhámos em proteger aqueles que mais precisavam da nossa proteção".

"É nosso dever recordar, falar alto e agir", assumiu a presidente da Comissão Europeia.

"Chega de sangue em nome de raças e religiões. Chega de genocídios, nunca mais", concluiu a política alemã.

Após a conquista de Srebrenica em 11 de julho de 1995, mais de 8.000 bósnios da religião muçulmana foram assassinados, entre 12 e 22 de julho, por soldados do exército sérvio bósnio dirigidos pelo general Ratko Mladic, em Srebrenica e arredores, numa zona, na época, teoricamente protegida pelos capacetes azuis das Nações Unidas (ONU).

Numa mensagem de vídeo divulgada a propósito das cerimónias realizadas hoje na Bósnia-Herzegovina, em homenagem às vítimas do massacre, a presidente da Comissão Europeia assumiu que "um quarto de século depois, a ferida na consciência europeia ainda está aberta".

"O passado não pode voltar nem mudar, mas é nosso dever agir para que nunca mais se repita o genocídio. Este dia lembra-nos como é importante apoiar aqueles que querem superar as diferenças e ajudar aqueles que necessitam de recuperação", disse Ursula Von der Leyen.

A responsável pediu ainda a reconciliação na Srebrenica e na Bósnia-Herzegovina e instou os líderes bósnios a dirigirem o país "reconhecendo o sofrimento e com respeito mútuo", destacando a perspetiva de as nações balcãs integrarem a União Europeia (UE).

"Está aberto o caminho que pode levar a Bósnia-Herzegovina e os restantes países dos Balcãs Ocidentais à UE", admitiu no vídeo transmitido na cerimónia que assinalou os 25 anos do maior crime contra a população civil na Europa, desde a Segunda Guerra Mundial.

Todos os 11 de julho, milhares de pessoas, de dentro e fora do país, juntam-se no Centro Comemorativo de Potocari, que acolhe os restos mortais de 6.643 pessoas, exumados de diferentes valas comuns no leste da Bósnia, mas este ano, devido à pandemia da covid-19 e à proibição de ajuntamentos, muitos participam por videoconferência.

"Muitos no mundo pararam hoje para prestar homenagem às vítimas" do genocídio de Srebrenica, planeado aos mais altos níveis militares e políticos, e que "deixou um vazio que nunca mais pode ser preenchido", defendeu, também por vídeo, o ex-promotor chefe do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ), Serge Brammertz, agora no comando do Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais.

Serge Brammertz sublinhou ainda que "dezenas e dezenas de suspeitos de crimes, alguns relacionados com Srebrenica, que conseguiram abrigo na Sérvia e noutros lugares", e investigadores do extinto TPIJ alertaram para a glorificação dos criminosos de guerra e o risco de reescrever a história do massacre de Srebrenica.

Recordando as prisões dos principais autores do massacre, os líderes sérvios Ratko Mladic e Radovan Karadzic, ambos condenados pelo TPIJ por crimes de guerra, o promotor pediu a todos que "lutem por justiça e verdade e condenem qualquer negação de genocídio, para construir o futuro".

"Tenho uma filha de 02 anos, como eu na altura. É difícil quando vês alguém chamar o seu pai e não o tens", disse, em lágrimas, Sehad Hasanovic, de 27 anos, que mesmo com a pandemia não quis deixar de ir às cerimónias.

O seu pai, Semso, "partiu para a floresta e nunca mais voltou". "Encontrámos apenas alguns ossos", disse. Tal como o seu irmão Sefik e o seu pai Sevko, Semso foi morto quando as tropas sérvias da Bósnia de Ratko Mladic entraram no enclave de Srebrenica antes de massacrar sistematicamente homens e adolescentes bósnios.

"Os maridos das minhas quatro irmãs foram mortos. O meu irmão foi morto e os seus filhos também. A minha madrasta perdeu um outro filho além do marido", enumerou Ifeta Hasanovic, de 48 anos. O marido, Hasib, foi uma das nove vítimas cujos restos mortais foram identificados depois de julho de 2019 e que vão hoje a enterrar.

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