UE "tem responsabilidades especiais" perante os "crimes de guerra" na Ucrânia

Durante o Fórum TSF, partidos, investigadores e instituições abordaram o papel da comunidade internacional, principalmente da União Europeia, depois de relatos de alegados "crimes de guerra" na Ucrânia por parte do Exército russo.

Após serem encontrados cerca de 400 corpos de civis na cidade de Bucha, na região de Kiev, que foi recentemente recuperada pelas forças ucranianas, discute-se o papel da comunidade internacional para ajudar a pôr final à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Sobre o que aconteceu naquela cidade próxima da capital, os ucranianos falam de um "massacre de civis", enquanto Moscovo "rejeita categoricamente todas as acusações".

No Fórum TSF, Pedro Neto, diretor da secção portuguesa da Amnistia Internacional, admite que a organização tem na sua posse "fortes indícios" que apontam com grande certeza para a prática de "crimes de guerra" pelos russos, não só em Bucha, mas também em cidades como Mariupol ou Chernigov.

"Já recolhemos testemunhos de civis e até analisámos fragmentos de bombas que estavam no corpo de sobreviventes e, eles próprios, relataram como foram os ataques", explica Pedro Neto, acrescentando que, com esses dados, conseguem perceber "quem é que atirou, quando e até onde foram produzidas".

O investigador Carlos Gaspar considera que a União Europeia (UE) "tem responsabilidades especiais" perante os indícios de "crimes de guerra" alegadamente cometidos pelas forças russas, porque o palco do conflito é dentro das fronteiras europeias.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa diz que essa responsabilidade está mesmo na mão da Europa, porque as Nações Unidas estão bloqueadas pelo "grande peso" da China e da Rússia no Conselho de Segurança.

Paulo Rangel defendeu, também no Fórum TSF, que a UE "pode fazer e já devia ter feito mais" relativamente aos crimes "hediondos" - e de "provas irrefutáveis" - que a Rússia terá cometido na Ucrânia, acrescentando que o organismo tem de estar na linha da frente de uma investigação internacional.

O eurodeputado do PSD considera que a "União Europeia, tal como os Estados Unidos e o Reino Unido, têm todas as condições para apoiarem uma investigação independente" nos territórios "onde há condições de segurança".

A eurodeputada do PS Isabel Santos afirma que é necessário realizar um "cerco" à Rússia, "para que possam sentir a pressão necessária", nomeadamente com a aprovação de sanções, algo fundamental para que Moscovo "ponha fim ao conflito" com a Ucrânia.

"Há algo que não é justificável", na opinião da eurodeputada socialista, mencionando "a agressão, invasão e crimes que estão a ser cometidos" em cidades como Bucha.

O eurodeputado e recém-eleito presidente do CDS-PP, Nuno Melo, considerou, durante o Fórum TSF, que as sanções já implementadas ao longo do último mês, mesmo que "muito violentas", para já, não têm resultado.

Por isso, Nuno Melo defende "uma escalada de sanções" que visem a economia russa, mesmo que isso também prejudique, em parte, os europeus, que sabem que "é uma consequência inevitável de uma agressão, que não é da União Europeia", explica.

O eurodeputado do CDS-PP também acredita que é necessária mais ajuda e intervenção militar na Ucrânia, que "só não acontece, no que tem a ver com o ocidente e os países que integram a NATO, porque se quer evitar uma III Guerra Mundial".

Em Bucha, cidade localizada a 30 quilómetros de Kiev, recentemente recuperada pelas forças ucranianas, centenas de cadáveres foram encontrados nas ruas e enterrados em valas comuns, mas a Rússia negou que as suas tropas tenham matado civis nesta cidade e assegurou que todas as fotografias e vídeos publicados pelo Governo ucraniano são "uma provocação".

"Rejeitamos categoricamente todas as acusações", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, alegando que especialistas do Ministério da Defesa russo encontraram sinais de "adulteração de vídeo" e de "falsificações" nas imagens apresentadas pelas autoridades ucranianas como prova de um massacre de civis atribuído à Rússia.

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