UNICEF quer ligar todas as escolas do mundo à internet em dois anos

"Sem internet, as crianças correm o risco de ficar para trás numa economia moderna", alertou a diretora executiva da Unicef, na Web Summit.

A diretora executiva da Unicef, Henrietta Fore, defendeu hoje ser necessário ligar todas as escolas do mundo à internet nos próximos dois anos, sob pena de as crianças não conseguirem acompanhar o mundo moderno.

Numa conferência realizada no âmbito da Web Summit, Henrietta Fore afirmou que a pandemia de covid-19 que o mundo enfrenta "deixou muito claro que a conectividade digital é essencial", já que "sem internet, as crianças correm o risco de ficar para trás numa economia moderna".

A responsável, que considera que a pandemia agravou a crise da educação no mundo, deixando muitos alunos sem possibilidade de ter ensino à distância, ou seja, através de internet, quer enfrentar a situação "dando às crianças e jovens iguais oportunidades de acesso a ensino digital de qualidade".

A chave para esta situação "é [a existência de] conectividade universal à internet", afirmou na apresentação "Armed with a pen: The battle for education" ("Armados com uma caneta: a batalha pela educação"), na qual também participou a ativista síria e embaixadora da Unicef Muzoon Almellehan.

"O nosso objetivo é ligar todas as escolas do mundo à internet nos próximos dois anos. Por isso juntámo-nos [ao movimento] Generation Unlimited e à União Internacional de Telecomunicações" para criar o "Giga", um projeto que visa ligar todas as escolas à Internet e todos os jovens à informação.

Os parceiros, adiantou a responsável, estão agora a falar com entidades públicas e privadas, tendo o "Giga" já visitado "800.000 escolas em mais de 30 países".

Com os dados obtidos, "estamos a trabalhar com governos, indústria e parceiros privados para obter financiamento para construir, em conjunto, infraestruturas e soluções de conectividade necessárias para o ensino digital e outros serviços", referiu a diretora da Unicef.

Henrietta Fore acrescentou ainda que a construtora de telecomunicações Ericsson juntou-se ao projeto, "num compromisso de vários milhões de dólares e a vários anos" para reunir dados de engenharia e ciência" e "o Banco Europeu de Investimento está a identificar soluções de financiamento para a África subsaariana, Caraíbas, Ásia Central e Balcãs".

Ao mesmo tempo, outros bancos ajudam "a criar soluções para todos os países, afirmou, apelando aos participantes da Web Summit que ajudem a obter o financiamento necessário.

"Precisamos de modelos e de rácios de custos para que cada país possa tomar decisões de investir em conectividade", concluiu.

A Web Summit, considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, realiza-se este ano totalmente 'online' com "um público estimado de 100 mil" pessoas.

Para o cofundador do evento, o irlandês Paddy Cosgrave, o próximo grande desafio será trazer "100.000 pessoas a Lisboa", o que só acontecerá "em 2022 ou 2023".

A cimeira tecnológica teve início hoje e decorre até 04 de dezembro, estando a ser seguida por "mais de 2.500 jornalistas", segundo Cosgrave.

Após duas edições realizadas em Lisboa (2016 e 2017), a Web Summit e o Governo português anunciaram, em outubro de 2018, uma parceria a 10 anos que permite manter a conferência na capital portuguesa até 2028.

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