Ursula von der Leyen eleita presidente da Comissão Europeia

A ministra alemã da Defesa foi eleita com 383 votos a favor. É a primeira mulher no cargo.

Depois de ter sido proposta pelo Conselho Europeu, o Parlamento Europeu elegeu Ursula von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia.

A alemã é a substituta de Jean-Claude Juncker e torna-se a primeira mulher a conseguir chegar ao cargo.

A até agora ministra alemã da defesa formou-se em medicina e chegou a exercer ginecologia, mas a paixão pela política falou mais alto.

A primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Comissão Europeia nasceu em 08 de outubro de 1958 em Bruxelas.

O primeiro-ministro português, António Costa, já felicitou a nova presidente da Comissão pela eleição desta tarde em Estrasburgo.

Candidata indigitada pelo Conselho Europeu para a presidência da Comissão Europeia, a conservadora Von der Leyen, 60 anos, irá assim suceder, em 01 de novembro, ao luxemburguês Jean-Claude Juncker, que liderou o executivo comunitário nos últimos cinco anos, tornando-se na primeira mulher a ocupar o cargo.

"Sinto-me tão honrada, estou assoberbada. Agradeço a confiança que depositaram em mim. A confiança que depositaram em mim é uma confiança que depositaram na Europa. A confiança numa Europa forte e unida, desde o Leste até ao Oeste, de Sul ao Norte. Uma confiança numa Europa preparada para lutar pelo futuro, e não entre si. Uma confiança numa Europa que enfrentará os grandes desafios do nosso tempo junta", declarou emocionada a primeira mulher a presidir à Comissão Europeia.

A nova presidente da Comissão Europeia precisava de pelo menos 374 votos para ser eleita - metade dos eurodeputados mais um -, e superou a maioria absoluta por apenas nove votos: num universo de 733 votantes, entre os 747 eurodeputados em funções no Parlamento Europeu (PE), reuniu 383 votos a favor, 327 contra, 22 abstenções e um nulo.

"Agradeço a todos aos membros que decidiram votar em mim hoje, mas a minha mensagem é "vamos trabalhar juntos para construir uma Europa mais forte", disse dirigindo-se aos eurodeputados, após reconhecer que ser presidente do executivo comunitário é "uma grande responsabilidade" e que o seu trabalho começa "agora".

Os números da eleição de Von der Leyen assemelham-se aos da recondução para um segundo mandato de José Manuel Durão Barroso. Em 16 de setembro de 2009, o português recebeu 382 votos a favor, 219 contra e 117 abstenções (em 2004, fora eleito com 413 votos a favor, 251 contra e 44 abstenções).

Já o luxemburguês Jean-Claude Juncker, há cinco anos, teve o voto favorável de 422 eurodeputados na eleição para a Comissão Europeia, 250 contra e 47 abstenções, quando necessitava de 376 'sim' para alcançar a maioria qualificada.

A política alemã, de 60 anos, foi a candidata indicada, em 02 de julho, pelo Conselho Europeu para a presidência da Comissão, com o seu nome a conseguir 'desbloquear', após três dias de duras negociações, o impasse em torno da distribuição dos cargos de topo da União Europeia, e a reunir o consenso dos chefes de Estado e de Governo, que abdicaram de nomear para a liderança do executivo um dos 'spitzenkandidaten' (termo alemão para candidatos principais) que se apresentaram às eleições europeias de maio.

O mandato de Ursula Von der Leyen começa em 01 de novembro próximo e terá a duração de cinco anos.

A próxima tarefa da política alemã é solicitar formalmente aos chefes de Estado e de governo da UE que indiquem os candidatos a comissários, de modo a formar o seu colégio.

Von der Leyen sucederá então dentro de três meses e meio a Jean-Claude Juncker, que liderou o executivo na última legislatura (2014-2019).
Ursula Von der Leyen aderiu à CDU em 1990 e envolveu-se na política ativa seis anos depois, na Baixa Saxónia, onde exerceu vários cargos locais e estaduais até ser eleita, em 2004, para o comité de liderança do partido.

A nível federal, o seu primeiro cargo foi, em 2005, de ministra dos Assuntos Sociais no primeiro governo de Angela Merkel e quatro anos depois foi eleita deputada mas foi reconduzida no cargo dos Assuntos Sociais.

Em 2010, foi eleita vice-presidente da CDU e foi vista durante muitos anos como a possível sucessora de Merkel.

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