USA Today declara apoio a Biden na "eleição do mundo"

Não é todos os dias que um jornal declara apoio a um candidato presidencial norte-americano. O USA Today faz isso pela primeira vez. Para o Guardian, mais do que nunca, esta é "a eleição do mundo".

Pela primeira vez, a direção editorial do jornal norte-americano USA Today decide apoiar um candidato: Joe Biden. O jornal explica porquê mas dá também uma coluna de opinião a uma visão contraditória e quem a escreve é nada mais nada menos que o vice-presidente Mike Pence. Primeiro, a decisão do apoio. Escreve o jornal: "Há quatro anos, o Conselho Editorial - um grupo de jornalistas ideológica e demograficamente diverso, separado da redação e a funcionar por consenso - rompeu com a tradição e tomou partido na corrida presidencial pela primeira vez desde a fundação do USA TODAY em 1982. Pedimos aos leitores que não votassem em Donald Trump, chamando o candidato republicano de inapto para o cargo porque ele não tinha o "temperamento, conhecimento, firmeza e honestidade de que a América precisa dos seus presidentes". Não conseguimos, entretanto, um apoio total de Hillary Clinton, a candidata democrata. Este ano, o Conselho Editorial apoia unanimemente a eleição de Joe Biden, que oferece a uma nação abalada um porto de calma e competência. Depois, aparece o tal artigo de Mike Pence, que começa assim: "Desde que assumiu o cargo, o presidente Trump apresentou resultados recordes para todos os americanos. Durante décadas, presidente após presidente, republicano e democrata, não conseguiram cumprir a agenda que prometeram aos eleitores. Nos últimos quatro anos, eu - escreve Pence - tenho apoiado o presidente Trump ao cumprir as promessas que fez ao povo americano, mesmo quando enfrenta ataques sem precedentes da classe política permanente de Washington e seus aliados nos média tradicionais.O presidente Trump promoveu cortes de impostos históricos e uma reforma fiscal, reverteu principalmente regulamentações federais onerosas, desencadeou o setor de energia da América e lutou pelo comércio livre e justo", escreve sobre o chefe o seu atual vice-presidente.

A eleição do mundo, assim lhe chama a revista semanal do jornal Guardian, que escreve: "Em qualquer ano normal, as eleições nos Estados Unidos são um assunto eleitoral exclusivamente global. Em 2020, a ameaça de mais quatro anos do circo Trump torna esta votação um momento quase existencial para um planeta à beira de um desastre climático. Mas essa não é a única razão pela qual o mundo aguarda nervosamente esta eleição". Lá dentro, uma série de artigos sobre o tema.

No Liberation, uma professora manifesta-se pela laicidade e o título é: "caminhamos todos os dias sobre brasas".

No suplemento Ideias do diário francês Le Monde, Gilles Kepel escreve sobre as fatwas dos smartphones...

O La Tribune tem um artigo sobre as falsas estratégias de luta contra o ódio na net e coloca na foto o símbolo do Facebook; a entrevista de capa é com o chefe executivo da empresa de aviação Easyjet que planeia sobre a crise e diz esperar voltar ao normal em... 2023.

No Jornal de Angola: estado quer rentabilizar unidades têxteis do país. Na página 11 o jornalista e escritor João Melo escreve sobre "a Bolívia no centro do furacão". Abro as pás: "de repente, não mais que de repente, a Bolívia, tão abandonada e subestimada no concerto das nações, pode passar a ter agora uma grande importância estratégica. A razão de ser dessa repentina mudança tem o nome de um mineral: lítio. Como se sabe, o mesmo é cada vez mais procurado para ser utilizado nas baterias dos carros elétricos, computadores e equipamentos industriais. Acontece que o pequeno país andino é detentor das maiores reservas mundiais de lítio. No último domingo, 18 de Outubro, realizaram-se na Bolívia eleições para presidente, vice-presidente, senadores e deputados, convocadas para tentar solucionar o imbróglio causado" pela eleição do ano passado e que "levou à renúncia do então presidente Evo Morales. As eleições foram ganhas pelo candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), Luís Arce, aliado de Morales, por uma maioria indiscutível: 52 por cento. A organização manteve igualmente a maioria na Câmara de Deputados e no Senado.

Do ponto de vista regional, a expressiva vitória do candidato do MAS, Luís Arce, nas eleições do último domingo na Bolívia pode reforçar os sinais já ocorridos no ano passado, com a vitória da dupla Fernández-Cristina na Argentina, criando uma tendência de reversão da viragem à direita na América Latina iniciada pelo golpe constitucional que fez cair a presidente brasileira Dilma Rousssef, pondo fim a 13 anos de poder do Partido dos Trabalhadores. Compreende-se, por isso, a satisfação da maioria das forças progressistas da região com o retorno do MAS ao poder".

Conclui João Melo: "Mas mais importante ainda será a possível repercussão global da vitória de Luís Arce. Voltemos ao lítio. A política de Evo Morales - de quem Arce foi ministro das Finanças durante 10 anos - em relação ao lítio era clara: o seu controlo devia permanecer nas mãos do Estado boliviano. Por isso, em Julho deste ano, ElonMusk, diretor executivo da Tesla e da Space X, respondeu assim no Twitter a um post sobre o interesse dos Estados Unidos em apeá-lo do poder: 'Daremos um golpe em quem quisermos! Lidem com isso'. Esperemos para ver o que decidirá Arce em relação a este assunto fulcral".

Na capa do El País está a atriz britânica Tilda Swinton; hoje estreia em 111 salas em Espanha a média metragem. a Voz Humana, o monólogo de Jean Cocteau adaptado por Pedro Almodovar. Também na primeira do El País: "O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu ontem uma ação anti monopólio contra a Google, que acusa de violar a lei ao abusar de sua posição dominante nos mercados de busca e publicidade em detrimento de concorrentes e utilizadores. É a maior ofensiva legal contra um gigante da tecnologia em pelo menos duas décadas e culmina uma investigação de um ano".

No Voz da Galiza, retrocesso: governo limita reuniões a um máximo de cinco pessoas.

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