Varíola dos macacos: ECDC recomenda "identificação e rastreio de contactos"

Centro europeu quer que os países "revejam a disponibilidade de vacinas contra varíola".

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) recomenda às autoridades sanitárias nacionais que se "concentrem na identificação, gestão, rastreio de contactos e notificação de novos casos de varíola dos macacos".

A medida muito semelhante à adotada no início da pandemia de Covid-19, foi adotada esta segunda-feira na sequência de uma avaliação rápida, depois de oito países, entre os quais Portugal, terem notificado surtos de casos da doença também identificada como monkeypox.

"Os países também devem atualizar seus mecanismos de rastreio de contactos, a capacidade de diagnóstico de ortopoxvírus e rever a disponibilidade de vacinas contra varíola, antivirais e equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde", refere um comunicado divulgado em Bruxelas.

O ECDC lembra que "entre 15 e 23 de maio foram notificados um total de 67 casos de varíola dos macacos adquiridos na UE em oito Estados-Membros da UE (Bélgica, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha e Suécia)".

"Os casos de varíola humana atualmente diagnosticados são principalmente entre homens que fazem sexo com homens, o que sugere que a transmissão pode ocorrer durante as relações íntimas", lê-se no texto.

O centro europeu refere ainda que "a transmissão pode ocorrer através do contacto próximo da mucosa ou da pele não íntegra com material infeccioso das lesões, ou através de grandes gotículas respiratórias durante o contacto prolongado face a face".

"A maioria dos casos atuais apresentou sintomas leves da doença e, para a população em geral, a probabilidade de disseminação é muito baixa", disse Andrea Ammon, diretora do ECDC", lê-se ainda no texto.

"No entanto, a probabilidade de propagação do vírus através de contacto próximo, por exemplo, durante atividades sexuais entre pessoas com múltiplos parceiros sexuais, é considerada alta", destacam.

A Comissária Europeia de Saúde e Segurança Alimentar, Stella Kyriakides declarou-se "preocupada com o aumento do número de casos relatados de varíola na UE e globalmente".

"Estamos a monitorizar de perto a situação e, embora atualmente a probabilidade de disseminação na população em geral seja baixa, a situação está a evoluir", afirma a comissária, fazendo lembrar as suas próprias declarações, há cerca de dois anos, na fase inicial da pandemia de Covid-19.

"Todos precisamos permanecer vigilantes, garantir que o rastreio de contactos e a capacidade adequada de diagnóstico estão disponíveis e garantir que tenhamos as vacinas, antivirais e equipamentos de proteção individual necessários para os profissionais de saúde disponíveis", alertou.

Bruxelas tem estado em "contacto estreito com os Estados-Membros desde os primeiros relatos de casos do vírus da varíola dos macacos na UE e estamos prontos para apoiar e coordenar ativamente a resposta da UE com todos os meios à sua disposição", garantiu a comissária.

O Comité de Segurança da Saúde da UE discutirá a varíola amanhã, e a Autoridade de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde (HERA), ECDC e EMA estão a trabalhar em estreita colaboração para garantir que as informações sobre a situação epidemiológica e a disponibilidade de vacinas e tratamentos sejam garantidas".

O ECDC alerta ainda que "o vírus da varíola dos macacos pode causar doença grave em certos grupos populacionais, como crianças pequenas, mulheres grávidas e pessoas imunodeprimidas. Mais investigações são necessárias para estimar com precisão o nível de morbilidade e mortalidade neste surto".

"Se ocorrer transmissão de humano para animal e o vírus se espalhar numa população animal, existe o risco de a doença se tornar endémica na Europa", referem, considerando necessária "uma estreita colaboração intersetorial entre as autoridades de saúde pública humana e veterinária para gerir animais de estimação expostos e impedir que a doença seja transmitida à vida selvagem".

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