Vários polícias entre os 33 detidos no Brasil por envolvimento em milícias

A operação, denominada "Intocáveis II", decretou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra 44 suspeitos de integrar milícias.

As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público (MP), prenderam hoje preventivamente 33 suspeitos de envolvimento em operações de milícias naquele estado brasileiro, incluindo agentes policiais.

A operação, denominada "Intocáveis II", decretou mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra 44 suspeitos de integrar milícias com atuação nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste da capital fluminense. Contudo, apenas 33 pessoas ficaram detidas, sendo que as restantes permanecem foragidas.

Entre os suspeitos que tiveram mandado de prisão preventiva decretado estão três agentes da Polícia Civil e seis da Polícia Militar, que dariam informações privilegiadas aos alegados criminosos.

"Os denunciados não só utilizavam armas de fogo para exercerem o seu domínio, mas, sobretudo, contavam com a participação de agentes públicos, ativos e inativos, em especial da Polícia Militar e da Polícias Civil do Rio de Janeiro, com informações privilegiadas de forma a manter as atividades ilegais e, assim, se perpetuarem no crime", indicou em comunicado o MP daquele estado brasileiro.

A ação desenvolvida hoje é uma continuação da operação "Os Intocáveis", realizada em 22 de janeiro de 2019, na qual foram acusadas 13 pessoas por organização criminosa.

De acordo com o MP, pelo menos desde junho de 2014, os suspeitos "constituíram organização marcada pela prática de vários crimes, como grilagem [falsificação de documentos para ilegalmente tomar posse de terras devolutas ou de terceiros], construção, venda e arrendamento ilegais de imóveis, e posse e porte ilegal de arma de fogo".

"Extorsão a moradores e comerciantes com a cobrança de taxas referentes a 'serviços' prestados, ocultação de bens adquiridos com as atividades ilícitas através de testas-de-ferro, pagamento de subornos a agentes públicos, agiotagem, e utilização de ligações clandestinas de água e energia nos empreendimentos imobiliários ilegalmente construídos" integram o vasto leque de acusações citadas pelo MP.

Também um funcionário público municipal, que trabalhava na Fundação Parques e Jardins, integrava a lista de suspeitos, mas não teve prisão preventiva decretada por falta de provas.

A investigação usou ainda informações da "Operação Lume", de março do ano passado, quando foram presos Ronnie Lessa e Elcio Queiroz, acusados de matar a tiro a vereadora Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes.

A partir de telemóveis e computadores apreendidos na ocasião, os agentes conseguiram chegar aos nomes dos suspeitos hoje detidos.

O MP do Rio de Janeiro contou ainda com a colaboração do MP do estado do Piauí, onde quatro suspeitos residiam, tendo auxiliado no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão naquela região.

As autoridades brasileiras estimam que as milícias controlam cerca de um quarto do território do estado do Rio de Janeiro.

Com início na década de 1990, as milícias eram compostas, principalmente, por ex-polícias, bombeiros e militares que queriam combater a ilegalidade nos seus bairros.

Durante anos, chegaram a ser elogiadas por políticos, incluindo o agora Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que, como deputado, pediu a legalização das milícias em 2008.

No entanto, os seus métodos brutais e áreas de controlo expandiram-se até aos dias de hoje e, segundo especialistas em segurança, estes grupos criminosos estão envolvidos em extorsão, negócios ilícitos e até homicídios.

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