Vendem-se! Só que afinal...não é bem assim

Um projeto imobiliário em Berlim anuncia, através de três cartazes reais, a construção de apartamentos e escritórios em diferentes zonas da cidade. Mas é tudo fictício.

Formas nada geométricas, cores extravagantes, cavalos e árvores nos telhados, são algumas das características dos edifícios retratados em três cartazes. Os anúncios imobiliários são fictícios, mas a criadora já recebeu mais de duas centenas de chamadas de interessados e curiosos. As dificuldades para encontrar casa em Berlim podem explicar este fenómeno.

"O projeto arrancou há cerca de dois anos, quando eu comecei a observar com mais detalhe todos os problemas de construção que Berlim estava a enfrentar, com um número crescente de pessoas a chegar à cidade. As rendas começaram a subir muito, a quantidade de apartamentos disponível começou a cair, muitos amigos e colegas perderam os seus estúdios de arte, ou perderam o seu lugar de trabalho em geral. Os bairros da cidade estavam a mudar muito rapidamente", explica à TSF a artista alemã Dorothea Nold.

Decidiu desenhar três cartazes imobiliários e fazer parte do "louco processo de construção que a cidade está a viver".

Os preços das casas em Berlim subiram 20,5% em 2017, mais rápido do que em qualquer outra cidade do mundo. Em junho, o governo local aprovou uma medida para congelar as rendas por um prazo de cinco anos, a partir de 2020, em resposta aos protestos dos moradores da capital alemã.

"Os meus objetivos foram mudando", conta a artista alemã. "Primeiro os cartazes funcionavam como uma espécie de provocação, já que estão em sítios onde eu não quero que se construa. Chocar talvez seja um exagero, mas provocar surpresa era uma das metas. Eu não sou completamente contra a construção na cidade, entendo que seja necessário, mas penso que é preciso repensar a forma em como esse processo está a ser levado a cabo."

Junto à imagem dos edifícios, aparece o contacto através do qual os investidores e compradores podem "fazer a reserva agora". Há também vários nomes de entidades fictícias, entre elas a dos "engenheiros desesperados", supostamente a cargo do projeto (Ing. Büro Desperate Development).

"São edifícios utópicos e futuristas com referências arquitetónicas, mas também inspiradas em algumas esculturas que fiz, e que tornei mais coloridas através de "collage" (...) Acredito que se alguém realmente os quiser construir, até pode fazê-lo, mas não obedecendo às leias da estética nem da física. Seria mesmo muito difícil", descreve Dorothea Nold.

A única coisa real dos cartazes é o contacto da artista, que não tem parado de receber chamadas com reações "muito diferentes".

"Pessoas interessadas em comprar um desses apartamentos e que levaram o projeto mesmo a sério, ainda que eu ache que se olharmos para os cartazes com atenção, percebemos que não é verdadeiro. Também recebi algumas chamadas de pessoas que gostaram do projeto e quiseram agradecer. E muitos curiosos", refere.

Dorothea Nold acredita que o futuro da construção na capital da Alemanha, outrora com rendas baixas, depende muito da vontade política. Mas não tem muita esperança.

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