Vickie está em Xangai, confinada como 25 milhões de pessoas, e "não vai haver vida normal tão cedo"
Covid-19

Vickie está em Xangai, confinada como 25 milhões de pessoas, e "não vai haver vida normal tão cedo"

Vickie já estava a cumprir em isolamento em casa quando as autoridades chinesas decidiram colocar os 25 milhões de habitantes de Xangai em quarentena, no início do mês. Naquela que é a maior cidade da China, as perspetivas são de que a vida não regresse tão cedo à normalidade.

A pior parte, conta a jovem chinesa à TSF, tem sido tenta conseguir comida: nas primeiras semanas as entregas nos condomínios ainda funcionaram, mas assim que começaram a faltar produtos online começou uma espécie de luta pela sobrevivência.

"Tínhamos de levantar-nos muito cedo e ser rápidos a aceder a diferentes plataformas online", conta, recordando que "havia horas especificas em que podíamos entrar nas plataformas para tentar comprar comida: às 6h30, às 7h30 e 8h30". Durante vários dias, o despertador foi o melhor - e único - aliado nestas incursões.

Em casa, porque as autoridades tinham anunciado um confinamento de apenas cinco dias - algo em que Vickie nunca acreditou -, tinha apenas "alimentos suficientes" para esse período. "Foi bastante difícil e causou-me muito stress durante alguns dias", confessa.

Vickie vive apenas com o namorado e, no bairro, receberam comida "umas cinco vezes nestes 20 e tal dias de quarentena" em forma de cabazes que lhes permitiam manter-se "durante uns três ou quatro dias", o "suficiente" para uma família de duas pessoas.

O mais recente objetivo das autoridades de saúde, colocado esta semana, é o de acabar que qualquer possibilidade de contágio comunitário da Covid-19. Vickie diz que é "ridículo e nada científico".

"É mais um slogan político que não leva em consideração a evolução da pandemia nem a forma como deve ser combatida de forma científica. Por isso, não faz sentido", avalia.

Pouco mudou nos últimos dias. Vickie já foi autorizada a dar uma volta pelo complexo onde vive, mas apenas durante um curto período de tempo, porque no condomínio em que ninguém testou positivo durante mais de uma semana.

De resto, a vida continua. Trabalha a partir de casa e ouve regularmente os altifalantes das autoridades, que pedem aos residentes para fazerem testes, algo que não deve mudar enquanto estiver em vigor a política de "Covid Zero".

"Sempre que existir um novo caso confirmado vai haver novo confinamento. Estou certa que não vai haver vida normal na cidade tão cedo", lamenta, alertando também para os efeitos económicos desta paralisação.

"Se as fábricas estão a reabrir? De acordo com as notícias não me parece. Se as pessoas estão a protestar por causa da paragem da produção e por receio de quebras na economia? Sim. Todos os dias leio notícias de pessoas de diferentes quadrantes sobre o impacto negativo destas quarentenas nas pessoas e na cidade, eio sobre as preocupações e receios das pessoas em todo o lado", explica à TSF, enquanto reforça uma interrogação.

"Porque é que estas vozes não conseguem chegar aos dirigentes? Porque é que as autoridades continuam a fazer ouvidos moucos a estas vozes?" Estas são as perguntas feitas, segundo Vickie, por "todos os residentes de Xangai ou todas as pessoas que estão a passar por isto". Faltam-lhes respostas e, se as perguntas chegam à Internet, algumas a desafiar as políticas das autoridades, acabam silenciadas, "banidas".

"Os comentários ou artigos que aparecem nas redes sociais acabam por ser apagados em muito pouco tempo depois de se tornarem virais. Há muitas vozes semelhantes, mas depois são logo eliminadas. Esta é a realidade agora", alerta.

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