Virologista sobre o estado de saúde de Trump: "Há coisas que não fazem muito sentido"

Um quadro de sintomas ligeiros, administração de Remdesivir ou de um fármaco experimental constituído por anticorpos que aniquilam o vírus são algumas das informações que circulam sobre o estado de saúde de Trump. Mas Celso Cunha alerta que esses dados são contraditórios e podem não refletir a verdade sobre a doença do Presidente dos EUA.

A Casa Branca confirmou que o Presidente norte-americano está a receber um medicamento experimental composto por anticorpos sintéticos. Trata-se de um cocktail que começou a ser testado em humanos apenas em junho e que poderá facilitar a recuperação de Trump.

Celso Cunha, virologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, explica à TSF a ação do fármaco: "Em termos gerais, diria que se trata de um conjunto de anticorpos, ou seja, de moléculas que se ligam a proteínas específicas do vírus e que vão neutralizar ou impedir algum passo da sua multiplicação dentro das células, seja a entrada nas células ou outro, já no interior." Estas moléculas "vão ter um efeito ou facilitador da destruição do vírus pelo sistema imunitário ou impedindo a sua multiplicação e, deste modo, promovendo uma melhoria do estado de saúde mais rápido do que se nada fosse administrado". No entanto, este tratamento suscita dúvidas sobre o estado de saúde de Donald Trump, argumenta Celso Cunha.

Para o virologista, o quadro clínico de Trump "é uma incógnita", visto que "geralmente as terapias experimentais dão-se, ou quando se tem muita certeza de que são seguras, no caso de alguém com aquela importância, ou quando não há outra alternativa". Assim, analisa Celso Cunha, "tanto pode ser verdade que lhe estão a ser administrados estes anticorpos como pode não ser verdade".

O virologista acrescenta que alguns órgãos de comunicação também noticiam que "Trump está a tomar Remdesivir". Ainda tem sido noticiado que os sintomas são muito ligeiros. "Tudo isto junto não faz muito sentido", esclarece o clínico.

Celso Cunha, virologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, acredita que neste momento é difícil "tentar adivinhar qual é o estado de saúde do Presidente norte-americano", porque "há coisas que não fazem muito sentido". Se Trump apresenta um quadro pouco preocupante, a terapêutica deveria ser outra. Para uma pessoa com sintomas ligeiros, é indicada "terapia de suporte e vigilância médica apertada", garante Celso Cunha.

"As notícias neste momento são contraditórias, porque, se, por um lado, ele apresenta sintomas ligeiros, e, por outro, está a tomar um antiviral que nem sequer é conhecido por reduzir a mortalidade e é uma terapia experimental, que tem sempre um risco... É porque o estado de saúde do Presidente norte-americano inspira mais cuidados do que o que está a ser veiculado pelos canais oficiais da Casa Branca."

Celso Cunha salienta que a Casa Branca tem lançado informações que formam um "puzzle" difícil de resolver e acredita que "muitas notícias destas podem nem ser verdadeiras".

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